A história é muito interessante e, mais do que entretenimento, é uma forte mensagem anti-guerras corporativas e anti-arrogância do mundo ocidental. O ambiente criado convence em absoluto e consegue envolver a audiência por completo. Os actores são jovens que estão - quase, quase - a dar o salto para o mega-estrelato e, por isso, ainda obedecem cegamente aos caprichos do director (que sabe o que faz, diga-se!). Portanto, Avatar tem todos os ingredientes para ser um grande filme e é-o! Vai “papar” uma montanha lendária de Óscars, a julgar pela unanimidade das críticas! (Eu ainda tenho esperança de que, mesmo em confronto com “Avatar”, o “Inglorius Basterds”, de Tarantino, não seja esquecido, mas adiante...)
Cameron, todos sabemos, era a pessoa ideal para dar um chuto em frente no cinema 3D. O realizador – que apenas exige que o estúdio com que trabalha lhe dê o maior orçamento que tiver para atribuir no ano em questão - fez maravilhas quando realizou os “Terminators”, fez maravilhas quando realizou “Titanic” e volta a deslumbrar em “Avatar” com a mais nova tecnologia aplicada a cinema. Mas são precisamente as expectativas que funcionam contra ele…
Quem tem por hábito espreitar os “filmes 3D” que vão sendo anunciados por esse mundo fora, já deu por si a ver uns desenhos animados desenxabidos que de 3D só tem uns pormenorzecos, mas também já viu, por exemplo, o “Beowulf”, onde se conseguem sequências incríveis, com danças de objectos literalmente “em cima” da plateia (apesar da sua história ter pouco a louvar) e, portanto, quando entra na sala para ver “Avatar”, vai cheio de ideias loucas e com as expectativas no píncaros, acreditando que a profundidade dos objectos do filme de Cameron, o mago da tecnologia, lhe chegue “ao nariz”, ou seja, que os objectos “saltem do ecrã” e venham desafiar a plateia a agarrá-los e que a audiência consiga estar literalmente dentro do planeta Pandora!
…Mas isso raramente acontece neste filme. Os pormenores que vêm “parar às mãos” da audiência são poucos, esporádicos e pequenos. A profundidade existe e de forma nunca vista, mas, ainda assim, fica “dentro do ecrã”, há uma separação dos elementos em movimento e da plateia, um limite para a sua profundidade “fora” do ecrã. A coisa piora se virmos o filme legendado. As legendas pairam num plano qualquer entre as camadas de imagens (explicando de forma simplista: há objectos “antes e depois” do plano das legendas), como uma constante recordação do 2D, o que dificulta a absorção total do ambiente tridimensional criado. (Deve haver imensos termos técnicos para explicar tudo isto, mas eu não sou cientista e aposto que os pouco leitores deste blog preferem uma explicação não técnica da coisa…).
Há que dizer, no entanto, que, mesmo assim, Cameron consegue uma coisa incrível que é fazer um filme de duas horas e meia TOTALMENTE em 3D. Esqueçam os pormenorzecos. Este filme é TODO em 3D. Os objectos, as plantas, as multidões, TUDO tem uma profundidade nunca vista. Nuns momentos mais do que noutros, o público abre a boca de espanto com tamanha novidade. Mas não chega para nos sentirmos “dentro” de Pandora, embora tenha sido isso que nos prometeram durante a promoção do filme… É injusto, talvez, exigir mais do que o que a maravilha já conseguida – há um orçamento, há um limite de tempo, as escolhas têm de ser feitas com sensatez -, mas a verdade é que, sim, esperava um pouquinho – pequenino – mais, apenas porque se trata de James Cameron.
Mas a coisa não vai ficar por aqui. O realizador já está a preparar mais filmes em 3D e estou confiante de que será ele a levar-nos “para dentro” de outros planetas cinematográficos. Espero que entretanto se cumpram todas as expectativas relativa ao visionamento dos filmes 3D, incluindo (e este é uma espécie de pedido pessoal que aproveito para expressar aqui) a evolução para a não utilização daqueles óculos especiais horrorosos e que fazem dores de cabeça! Já em 2005, Spielberg prometia o registo de uma patente de uma técnica inovadora de visualização 3D baseada em ecrãs de plasma e sem necessidade de óculos especiais, em que um computador divide cada frame de filme e o projecta de ângulos diferentes para que seja capturado por pequenas ranhuras angulosas no ecrã. Claro que dotar os cinemas com mais este equipamento deverá demorar o suficiente para eu levar os meus netos às salas… Mas a esperança é sempre a última a morrer…
Mesmo assumindo que o principal interesse da obra é a evolução conseguida no 3D, “Avatar” é, nevertheless, um filmezão, que tem obrigatoriamente de ser visto por quem gosta de cinema!
Classificação:
****






“Quando eu era pequeno, lembro-me que o meu pai trabalhava na General Motors, pagou a casa em que vivíamos antes de eu ir para o infantário, fazia 4 semanas de férias pagas por ano e, ano sim, ano não, passávamos o Verão em Nova Iorque. Se aquilo era o capitalismo, eu adorava-o.” E entretanto tudo mudou. Os salários baixaram. As pessoas viram-se obrigadas a trabalhar o dobro para compensar os funcionários que os patrões não contratavam. O desemprego aumentou. E alguém encorajou o povo americano a pedir dinheiro emprestado para fazer face a tudo o que não podiam pagar. Até que tudo se desmoronou.





Claro que podemos criticar a ousadia da Columbia Pictures ou da AEG Live por nos tentar enganar com a história do “for two weeks only” e depois esticarem a apresentação por mais uma semana devido “ao sucesso do filme”. Também podemos argumentar que estamos fartos “de levar” com o mito Michael Jackson e pedir aos céus que TODA a gente decida simplesmente deixá-lo descansar em Paz. E até sabemos que existe, de facto, muito respeito pelo trabalho do artista, mas que o que todos procuram agora é ganhar o seu quinhão com a memória dele… Mas o que podíamos fazer? Ignorar o filme…?





Este é um filme que põe a nú todos os preconceitos criados pela América Pós guerra(s). No fundo, talvez Portugal também precisa-se de um filme sobre o SEF (de certeza que teria histórias de imigração igualmente interessantes). O que estás disposto a fazer pelo sucesso da carreira ou apenas por uma qualidade de vida melhor é talvez o Busílis deste filme. Até que ponto te prostituis, trabalhas que nem escravo ou levas até ao fim os teus ideais religiosas só para pertenceres a um país com mais oportunidades?
Quem teve a opotunidade de ver o filme "speed" facilmente encontrará agumas semelhanças com este filme de acção (infelizmente não tem a Sandra Bullok). O "average man" torna-se herói por um dia, dando-nos a ideia que muitas das vezes somos o que as circustâncias permitem (para o bem e para o mal).

Finalmente Johnny Deep teve o desafio de desempenhar um filme biográfico com uma personagem sem grandes artifícios (demasiado real tendo em conta o historial do actor). Talvez esteja a começar a treinar para os Óscares mas defenitivamente ainda não é desta...

