sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Barco do Rock (The Boat That Rocked)

Uma ode á música!É a época dourada do Rock & Roll. Na Inglaterra de 1966, a BBC passa apenas duas horas semanais de Rock & Roll. Para ouvir os seus êxitos favoritos dia e noite - Beatles e Rolling Stones incluídos - metade da população do país (25 milhões de pessoas!) era devota ouvinte das rádios piratas. Apesar do êxito, o Governo Britânico está apostado em acabar com a liberdade (considerada excessiva) dos locutores das emissões clandestinas. A Rádio Rock, a emitir a partir de um velho barco ancorado no Mar do Norte, é a mais bem sucedida estação pirata e, por isso, é também o alvo preferencial das maquinações dos políticos apostados em calar a voz da modernidade.
Esta é a história de um filme cujos intervenientes assumem ter sido feito apenas para “divertir, divertir e divertir despudoradamente”. E isso é plenamente conseguido ou não fosse metade do elenco composto por actores que têm por hábito sentarem-se nas filas da frente na cerimónia dos Óscars.
Ao que parece, Philip Seymour Hoffman (a interpretar “The Count”, um carismático Radio DJ), Kenneth Branagh (como político irritante e bolorento) e até Emma Thompson (num brevíssimo papel de femme fatal!) decidiram divertir-se a fazer um filme do inigualável Richard Curtis, autor de êxitos como “Quatro Casamentos e Um Funeral”, “Bridget Jones” ou “Love Actually” (que também realizou). Juntam-se-lhes o fantástico Bill Nighty (no género em que é mais reconhecido: a comédia), Rhys Ifans (inesquecível na pele do DJ mais famoso de Inglaterra), Nick Frost (fabuloso como DJ alarve e inconsciente) e ainda uma série de jovens actores em ascensão, que fazem um conjunto invulgarmente funcional e talvez até inesquecível.
Richard Curtis habituou-nos a histórias simples, que exploram de forma crua e honesta o tema do amor, sempre com a música como pano de fundo. E não decepciona quem espera isso dele neste filme. Numa realização que lembra os filmes dos Beatles, Curtis explora com simplicidade o amor dos amigos, o amor pela música e o amor pelas causas. O filme é, em última análise, uma ode à música. Além da exploração do tema pelo guião (colocando belas palavras de amor pela 1.ª arte na boca dos DJs), a banda sonora assume um papel basilar, ficando, por vezes, com o ónus de contar (e bem!) parte da história. The Who, Jimi Hendrix, The Beach Boys, Smokey Robinson, Otis Redding, The Kinks, David Bowie, The Hollies… A lista é interminável. Os êxitos que desfilam filme dentro chegam a ser mais impressionantes do que fita.
Para os que um dia se apaixonaram por uma voz rouca da rádio. Para os que se arrepiam sempre quando ouvem aquela música. Para os que já tiveram a experiência de passar umas horas numa cabine de rádio. Para os que cresceram na época dourada das rádios pirata. Para os que têm saudades de se divertir como na adolescência. Para os que sabem o que é colocar a alma no trabalho. Para os que sabem o que é amar. Não acredita? Acredite, pelo menos, naquele elenco extraordinário e arrisque ir divertir-se ao som dos grandes clássicos.

Classificação:
****

terça-feira, 28 de julho de 2009

A Jovem Vitória (The young Victoria)

O poder da juventude, o triunfo da lealdade, a História na sua essência!

A história começa em 1837. Victoria, então com 17 anos, está no centro de uma luta pelo poder real. O seu tio, o Rei William, está a morrer e Victoria é a herdeira do trono. Toda a gente quer ganhar os seus favores. No entanto, Victoria é posta à parte da corte pela possessiva mãe, a Duquesa de Kent e pelo seu ambicioso conselheiro, Conroy. Victoria odeia-os a ambos. Um dia, o elegante primo de Victoria, Albert, é convidado para a visitar pela sua mãe…
Este é o mote para uma das mais belas estórias de amor raramente contada às novas gerações. Este é um filme que apresenta a Rainha Victória na sua busca pelo amor e lealdade, mostrando todas as suas virtudes e fraquezas, as suas vitórias e os seus erros perante o povo britânico. Poderá ser um sério candidato a Óscar no que respeita ao seu sumptuoso guarda roupa. Os cenários dos jardins e palácios reais são também eles dignos de ovação. Por fim, Emily Blunt faz um papel estrondoso em que, apesar de ser um momento específico da vida da personagem, se percebe toda a evolução da jovem até ser Rainha e sucumbir ao amor pelo seu marido Albert.
Classificação:
*****

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A idade do gelo 3: Despertar dos Dinossauros (Ice age 3)

A bolota já escorrega em 3D!!Scrat continua a tentar apanhar a sempre escorregadia avelã agora também em 3D (enquanto, talvez, encontre o verdadeiro amor). Este é sempre um dos momentos mais hilariantes do filme que nos provoca sempre um sorriso mesmo antes da bolota lhe fugir por entre as garras; Manny e Ellie, esperam ansiosamente o nascimento do seu mini mamute; Diego, o tigre dentes de sabre, questiona-se se não estará a ficar demasiado "bonzinho" com os seus companheiros e Sid, a preguiça, mete-se em sarilhos quando resolve constituir uma família, "desviando" para isso alguns ovos de dinossauro. Numa missão para resgatar o desafortunado Sid, o grupo aventura-se num misterioso e estranho mundo, onde têm encontros com dinossauros, debatem-se com a flora e a fauna, correm freneticamente – e encontram uma implacável doninha zarolha, caçadora de dinossauros, chamada Buck. É um filme cheio de ambientes diferentes e aventura Q.B. No entanto, penso que ainda não chegámos ao topo da tecnologia 3D e muito ainda poderá ser feito em prol desta nova técnica de cinema que dá os seus "primeiros" passos no cinema moderno.

Classificação:
****

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Bruno (Brüno)

America fashionable e gay

A palavra “excessivo” é tímida para descrever Brüno, o austríaco de 19 anos inventado por Sasha Baren Cohen. Ostensivamente gay (atrevo-me, nos dias que correm, a dizer “ofensivamente” gay?), o jovem quer, porque quer, vencer na vida… no matter what! Despedido de um programa sobre moda “que ditava as tendências” na Áustria, depois de ter arruinado, de forma inacreditável, um desfile da Agatha Ruiz De La Prada, Brüno decide procurar a fama em Los Angeles. E não olha a meios para atingir fins.
O que pode tornar alguém famoso? Como vivem as verdadeiras estrelas? Qual o caminho certo para subir a escada do estrelado?
Brüno analisa tudo de forma distorcida e tenta imitar. De um branqueamento do ânus ao abraçar de uma causa mundial, da adopção de um bebé negro à tentativa de resolver a crise do Médio Oriente, da ideia de ser raptado por terroristas à aposta na impossível conversão para heterossexual… tudo é possível e assustadoramente executável para Brüno.
Dizer que não é um filme consensual é demasiado óbvio. Sasha não faz personagens consensuais. Este Brüno expõe, como Borat expunha, a estupidez e os preconceitos da sociedade, desta vez, não apenas americana, mas numa perspectiva mais global. Brüno viaja pelo mundo e ofende (é o termo certo!) quem encontra. Nem os mais liberais se sentarão no cinema de ânimo leve a ver este filme repleto de atitudes over the top e imagens pornográficas. Se sentíamos uma “pena mórbida” de Borat por ser tão “limitado” nas suas opiniões, ficamos na dúvida sobre os nossos sentimentos por Brüno, porque ele não tem quaisquer limites. Muito mais do que Borat, que apenas expunha quem encontrava a uma opinião polémica e esperava resultados, Brüno é exagerado, excessivo, ofensivo, indefensável. É ele quem faz as cenas, as encaminha, as expõe, as finaliza... Como no caso do gay converter que acaba quase, quase convertido ele próprio com as provocações de Brüno, o representante de um estilo de vida absolutamente livre e fora do alcance do comum mortal (Graças aos Céus!).
Não vale a pena discutir o guião feito de pedaços de cenas reais e perigosas - encenadas por Sasha Baren Cohen e a sua equipa de destemidos e filmadas como se de um documentário biográfico se tratasse -, coladas numa lógica hilariante em pós-produção (só pode!). A Wikipédia escreve que este é um “mockumentary comedy film”… Deve ser isso…

Classificação:
****

sábado, 27 de junho de 2009

A ressaca (Hangover)

Rir, rir e mais rir!
Dois dias antes do seu casamento, Doug e três amigos rumam em direcção a Las Vegas para uma despedida de solteiro que nunca mais irão esquecer. Mas na verdade, quando os três padrinhos acordam na manhã seguinte, eles não conseguem lembrar-se de nada. Sem saberem como e porquê, eles encontram um tigre na casa de banho e um bébé de 6 meses no guarda-roupa da suite do Hotel Caesars Palace. A única coisa que não conseguem encontrar é Doug. Sem qualquer pista sobre o que se passou na noite anterior e com muito pouco tempo, o trio tem agora que tentar reconstituir a noite passada para encontrar Doug e regressar rapidamente a L.A. a tempo do seu casamento. O resultado é uma hilariante comédia, em que junta vários padrões do comportamento "Macho" num contexto de total liberdade. Desde o certinho e corno que leva porrada da namorada, ao desleixado e psicótico ao pai de família que só quer é diversão e claro, o que se vai casar e tem uma última janela de oportunidade antes do grande dia.
Pela boa disposição e originalidade encontrada num tema mais que batido:
.
Classificação:
***

És o maior, meu (I love you, man)

Silly season em pleno Junho...

Peter Klaven é um agente imobiliário à procura de um padrinho para o seu próprio casamento, uma vez que este não tinha o habito de sair com rapazes (no sentido da camaradagem, nada de misturas).
Para resolver o problema inicia uma ronda de «saídas» com homens, até conhecer Sydney Fife com quem cria uma amizade. Mas à medida que esta amizade aumenta, os noivos começam a afastar-se, fazendo com que Zooey, a noiva, faça Peter escolher entre si e o seu novo «mano». Uma história que explora o verdadeiro significado da palavra «amigo». Um argumento bem disposto e que toca num ponto importante na vida de casais e na "posse" que muitas vezes se estabelece entre ambos que acaba por afastar os pequenos grupos de amigos que criamos ao longo da vida (ou neste caso os amigos que acabámos de encontrar).

Pelo bom humor e pelo alcance global do tema leva:

Classificação:
**

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Anjos & Demónios (Angels & Demons)

132 minutos de pura adrenalina

Ora aí está tudo o que um filme deve ser e ter: uma boa história, uma realização competente, bons actores, bons diálogos, cenários fantásticos e um ritmo alucinante.
Os críticos dizem que é “puro entretenimento” como se isso fosse mau. Como se um filme para ser filme tivesse necessariamente de representar essas alegorias tão intelectuais suburbanas e repetitivas da infância perdida ou do complexo de Édipo. Como se tivéssemos de sair do cinema sempre em crise existencial. Como se um filme fosse um texto filosófico e não, tão simplesmente, uma história contada em imagens.
Talvez alguns até consigam ver significados escondidos na obra de Ron Howard (além dos óbvios). Dan Brown, o autor da história em livro, quis obviamente escrever uma história em que coloca a Igreja Católica em dúvida. Mas, ou o autor não consegue mesmo decidir-se acerca da utilidade (ou inutilidade) dessa instituição milenar ou percebeu que decidir era o pior caminho na estrada para o sucesso… E talvez seja por isso que, ao fim de duas horas de discussão pertinente sobre religião, tudo fique na mesma… Assim é no mundo.
Quem não leu “Anjos & Demónios” levante o braço. Se não leu este, leu o “Código Da Vinci” (ou viu o filme). Diferenças? Algumas. “Anjos & Demónios” – cujos acontecimentos no cinema, ao contrário da cronologia do lançamento das obras literárias, têm lugar depois do anterior episódio de Robert Langdon em busca do Santo Graal – tem uma história estruturalmente muito mais cinematográfica. Menos diálogo, mais acção. Se no filme anterior adrenalina vem da perseguição da polícia francesa, aqui existem CINCO deadlines inamovíveis, de apenas uma hora cada um e com missões específicas a cumprir. O tempo está sempre a esgotar-se, enquanto cardeais, com pretensões a papa, são mortos de forma brutal e enquanto paira sobre o Vaticano a ameaça de ser fisicamente obliterado da face do planeta em meros segundos com um “bomba” de, imagine-se!, antimatéria, produzida no CERN, o tal laboratório Suíço que tentou reproduzir o Big Bang. A ajudar “à festa”, os cenários recriados do Vaticano (onde a equipa de produção não foi autorizada a entrar) são absolutamente irrepreensíveis e espectaculares. A esse nível, é quase magia o que foi conseguido neste filme!
Desta vez, deixando a história para trás, a ciência e a religião são o centro de um confronto entre a magnânima Igreja Católica e uma sociedade secreta de cientistas, os Iluminati, que, afinal… só existe em lenda. Pelo meio, resumem-se os argumentos de parte a parte e discutem-se ideias intemporais, ao mesmo tempo que se vasculham os supostos arquivos do Vaticano. Cada um poderá, quem sabe?, tirar destas discussões esse significado “maior” que muitos procuram num filme… Será o suficiente? Sim, se o espectador tiver interesse neste tema específico. E as centenas de pessoas que esgotaram todas as sessões do filme no fim-de-semana de estreia e que faziam fila no cinema num Sábado à meia noite para encher a sala 1 parecem tê-lo.
Em suma, Anjos & Demónios não muda a vida de ninguém, seguramente, mas proporciona mais de duas horas do mais absoluto fascínio. Não haverá UM SEGUNDO em que o espectador queira tirar os olhos do ecrã. É uma promessa.

Classificação:
*****

Sinais do Futuro (Knowing)

Um filme evangélico

Avisam-se os que vão preparados para ver mais um filme de acção do Nicholas Cage (é assim que “Sinais do Futuro” é apresentado) que este… é um filme evangélico. Sem querer revelar muito acerca do final do filme, o espectador deve ficar a saber que há no filme personagens que deviam chamar-se Adão e Eva e que, no Dia do Juízo Final, só os homens de fé se poderão salvar…
Esta é uma obra algo estranha que mistura elementos futuristas e excelentes efeitos visuais com uma série de clichés próprios de filmes suspense e até de terror de baixa categoria que fazem os espectadores mais atentos de cinema virar a cara para o lado e perguntar: a sério que estou a ver isto outra vez?
Objectivamente, a história centra-se num professor de astrofísica do MIT, recém viúvo, cujo filho recebe um envelope saído de uma cápsula do tempo enterrada há 50 anos na escola primária que frequenta e que contém um código de números, escrito por uma antiga aluna, que revela todos os desastres com dezenas de mortos que ocorreram no mundo e… os que ainda vão ocorrer…
Com excepção da prestação de Nicholas Cage e dos efeitos especiais soberbos, este é um filmezinho bizarro que, numa assumida mensagem de fé, acaba com uma visão do paraíso… Medo!

Classificação:

**

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Organização (The International)

Um orçamento em grande origina um grande filme…?

Neste caso sim! A Relativity Media (que produziu também, por exemplo, "The Pursuit of Happyness", "Charlie Wilson's War" ou "Wanted") não poupou em nada. E o guionista, Eric Warren Singer, atreveu-se a sonhar. Imaginou cenários em variadíssimas cidades europeias – de Berlim a Lyon, de Londres a Turim – e pôde até escrever uma cena em que o Guggenheim de Nova Iorque é totalmente destruído. Este filme é, portanto, sonho molhado de qualquer guionista.
O entusiasmo foi tanto que este Eric Warren Singer (Se googlarmos o nome chegamos à conclusão de que terá escrito apenas ESTE filme. De resto foi produtor e actor!) conseguiu escrever um guião simples (no bom sentido), mas verdadeiramente surpreendente, não só devido aos “fireworks” habituais dos grandes orçamentos, mas também criando umas reviravoltas, lógicas mas imprevisíveis, nas personagens e na história… Again: o sonho molhado de qualquer guionista... Neste caso, plenamente desfrutado.
Objectivamente: Um agente da Interpol tenta expor os negócios obscuros de uma instituição bancária internacional, mas, de alguma forma, nunca consegue reunir provas suficientes, nem que para isso tenham de ir desaparecendo pessoas.
O filme é grande em quase todos os sentidos: história, cenários e até actores. A excepção será, talvez, Naomi Watts, a quem “falta um bocadinho assim” para chegar ao nível do que a envolve. Mas nem isso é suficiente para ofuscar o efeito espectacular de todos os ingredientes misturados.
Recomenda-se, sem dúvida, a quem: a) Gosta de histórias de grandes conspirações; b) Gosta de filmes de grandes estúdios; c) Gosta de filmes de polícias e ladrões, versão updated; d) Gosta de ser inquietado com temas actuais ficcionados, como o que é que os grandes bancos poderão andar a fazer com o dinheiros de todos nós; e) Gosta de viajar no cinema.
Só não gostará deste filme quem não gostar de filmes de grandes estúdios… porque é verdade que irrita um bocadinho (só um bocadinho) ser tudo tão possível, tão simples, tão flashy.

Classificação:
****

Monstros vs. Aliens (Monsters vs. Aliens)

A mediocridade disfarçada de filme para crianças

É verdade que o filme é para maior de seis anos. E é de animação. Mas, ou o “Rei Leão” e o “Em Busca de Nemo” nos habituaram mal, ou estes factores não têm qualquer influência na mediocridade do resultado final.
Uma jovem, no dia do seu casamento com um idiota, é atingida por um meteoro e cresce até ficar do tamanho de quatro arranha céus. Em cativeiro imposto pelo Governo conhece mais três ou quatro monstros. Em conjunto vão ter de ajudar a humanidade a livrar-se de uns invasores aliens liderados por um megalómano em forma de lula apostado em encher o universo de clones seus.
Já sei que as crianças não exigem que lhes justifiquem motivações de personagens, bastando-lhes que as cores sejam apelativas e a história envolvente… Mas também não havia necessidade de chamar idiota ao público jovem. Um bocadinho mais de contexto não tinha feito mal nenhum. Personagens menos planas e estereotipadas também não. E, já agora, porque estamos a falar de um público em formação, que tal uma liçãozita no final? Até os “bonecos de Domingo de manhã”, que duram uns quinze minutos, costumam ter isso…
Em resumo, foi giro ver animação em 3D. Ponto. Nem a voz familiar da Catarina Furtado deu para entusiasmar a audiência.

Classificação:
*

domingo, 19 de abril de 2009

Autocarro 174 (Última Parada 174)

Os bons filmes brasileiros nunca têm um final feliz. Talvez porque as histórias mais brutais e interessantes não estão nas famílias de conto de fadas que nos apresentam nas novelas e sim nas favelas das grandes cidades, onde as vidas são construídas na miséria e à custa de hábitos marginais que condenam para sempre os seus protagonistas.
“Autocarro 174” conta a história de dois meninos – Alessandro e Sandro – e de uma mãe sem filho. Alessandro e Sandro são dois desses seres ingénuos e miseráveis a quem a vida negou a oportunidade de crescer do lado certo da lei e, portanto, sem surpresas, tornam-se marginais da pior espécie, a quem os escrúpulos só servem para fazer sofrer.
A história – longa, 110 minutos de pura adrenalina - salta de clímax em clímax, absorvendo por completo o espectador, sem que ele consiga ter demasiada atenção a estruturas ou desempenhos, numa sucessão de momentos chocantes por serem reais. Os actores - jovens, alguns mesmo MUITO jovens - são arrebatadores, exemplares, absolutamente surpreendentes, ao darem vida a cenas que a maior parte dos adultos teria pudor em desempenhar.
Um filmezaço, sem dúvida, infelizmente baseado em acontecimentos reais, que vale MUITO a pena ver e que tem um pequeno extra no final: uma pequena aparição do Capitão Sousa, que toma conta da ocorrência do autocarro sequestrado, e do Capitão Nascimento (“Tropa de Elite”) no desenlace trágico do filme. Uma salva de palmas DE PÉ, para o realizador Bruno Barreto.

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Classificação:
*****

Che: Segunda Parte - A Guerrilha (Che: Part 2)

Se a primeira parte me fez pensar que este podeia ser um acto falhado de Steven Soderbergh, a segunda não deixa dúvidas! É absolutamente abjecta a maneira como (baseado no livro ou não) é completamente deixada de lado a conquinta de Havana. Talvez o grande triunfo da vida de CHE!! Se na 1ª parte estavam quase lá, na segunda já andavamos na Bolívia... O sal e pimenta da sua vida foram absolutamente riscados do mapa, motrando o "quase" e o grande falhanço final. CHE não merecia um retrato que embora longo é redutor no que concerne às suas conquistas e a forma como as atingiu.
Um outro ponto negativo é também o facto de passarmos 20 a 30 minutos a ver abraços e "passou-bem" seguidos de 1001 nomes bolivianos que apenas aparecem nessa cena... Chegou a ser torturosa a forma como nada se passa para além do puro marasmo de "plotpoints" na primeira hora e meia de filme.
O único ponto a favor é sem dúvida o Benício del Toro, que se tornou no CHE e vai demorar uns anitos até se livrar dele... No entanto, pouco ou nada é referido em relação ao que o motiva a ser um guerrilheiro em terra alheia, embora haja bastante mais informação sobre este aspecto neste segundo filme.
Por último receito este filme a todos os tugas que sofrem de insónias, a acção (tal como no primeiro filme) só começa na última meia hora quando já todos estamos a dormir. Ainda bem que este filme foi cortado ao meio, ninguém aguenta um corte tão radical entre a acção do fim do primeiro filme e o marasmo do segundo... Apesar de ser uma experiência que alguns estivessem à espera de presenciar... (4 horas de filme seguidas ficariam para a história, mas corria o risco de ser pelas piores razões). Assim, só porque a espectativa era alta e a decepção foi grande e a dobrar, leva:
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Classificação:
**

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ele Não Está Assim Tão Interessado (He’s Just Not That Into You)

Vou esquecer-me tão rapidamente deste filme, que já nem sei muito bem o que escrever sobre ele e ainda agora o vi… Se ele revela enormes verdades sobre homens e mulheres, não o faz a pessoas como eu. A única coisa que me passava pela cabeça à medida que a história ia avançando e as so-colled “revelações” iam acontecendo era… “Mas isso não é óbvio? Em que planeta é que estas pessoas vivem?”…
Mas depois fui para casa e, enquanto lavava os dentes e me preparava para ir dormir, dei por mim a rever todos os exemplos de relações mal sucedidas (e até de relações teoricamente bem sucedidas que apenas aguardam uma oportunidade para poderem ser mal sucedidas...) que presenciei e, por entre amigos e conhecidos, encontrei N exemplos de situações semelhantes às retratadas no filme… E sim, pronto, OK, admito: chorei e tal com uma ou outra cena. Ou seja, o filme até faz sentido, levantas questiúnculas quotidianas pertinentes e fá-lo de uma forma leve e pouco penalizante, já que cada uma leva para casa o que quer.
Em resumo, a história pode ser cativante, basta para isso que alguém se identifique com uma das personagens... e elas são tantas que não me parece difícil que isso aconteça (embora não tenha sido o meu caso)… O guião está bem desenvolvido, sendo incisivo nalgumas partes e subtil noutras, embora com alguns exageros próprios de um filme com tom leve de comédia. Mas o verdadeiro destaque vai para as interpretações.

Todos os actores (dos nomes “maiores” aos mais “pequenos”) passaram pelo filme como uma brisa de Verão, leves e frescos, competentes e desinteressados, revelando as agruras das relações como todas nós as conhecemos actualmente (algumas agravadas pelas muitas tecnologias hoje em dia disponíveis para o contacto entre as pessoas)... A química entre Scarlett Johansson e Bradley Cooper saltava do ecrã, não tive dúvidas de que kevin Conolly era apaixonadíssimo pela mesma Scarlett e quase, quase acreditei que a Jennifer Aniston queria mesmo casar com o Ben Afleck…
Pelos actores e pelas questiúnculas que repensamos depois de ver o filme, vale a pena dar um saltinho ao cinema...


Classificação:
***

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dupla Sedução (Duplicity)

Um aplauso para o guião. É louco, original e divertido. Um tanto ou quanto exagerado em algumas cenas, mas costumam ser essas que ficam na memória, depois de concedermos o “hum, ok… talvez…” bem ponderado. A cena em que mais tenho dificuldade em acreditar é a que coloca os dois CEO’s dos dois impérios da cosmética à porrada num hangar de um aeroporto… Mas… hum, ok… talvez…
O melhor do filme está, então encontrado: o guião. A história. É deliciosa. Cheia de reviravoltas e novas informações, com muitas cenas repetidas em que se acrescenta mais um ponto e mais um conto numa história de espionagem industrial cheia de pontos e contos na busca do Santo Graal da cosmética. Até o produto em si, o que busca toda a gente afinal, é delicioso, irónico e é uma ideia muito, muito bem conseguida. Apenas uma pista: não, NÃO É o creme anti-rugas definitivo!
Na verdade, surpreende-me muito que seja o guião a merecer aplausos. Com dois actores como Julia Roberts e Clive Owen, eu achava que não ia ter olhos para mais nada. Mas tive. Porque me parece que algo falhou naquela dupla. Para dois amantes amantíssimos, falta química a rodos. São eficientes na transmissão dos textos, mas não são eficazes na transmissão daquele little something que faz os apaixonados não se resistirem… Será que o Clive cheira mal da boca? Será que a Julia não usa desodorizante? …Algo se passou… E falhou redondamente. O que é uma pena.
O filme acaba por resultar num exercício algo confuso e demasiado cerebral, embora nos leve por um caminho de hipóteses que se vai alargando até ao grande final, em que tudo faz (claro!) mais sentido. Infelizmente, não resulta em pleno. E desconfio que tem muito a ver com a falta de química dos actores, mas não só… Mas, como não sou crítica de cinema, em vez de aventar 500 hipóteses para explicar porque é que não resulta, vou deixar que seja o espectador a decidir. Talvez depois nos possa ensinar qualquer coisa …


Classificação:
***

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Gran Torino (Gran Torino)

O lendário Clint Eastwood mostra-nos mais uma vez toda a sua arte! Uma história de um veterano de guerra que se encontra na mais profunda solidão social. Esta é uma história sobre quem realmente se aproxima de nós na solidão da velhice... É neste contexto que Walt encontra numa comunidade Hmong todo o apoio que seria de esperar da própria família, estabelecendo assim as sua prioridades de relacionamento.
É um filme emocianante não do ponto de vista "pirotécnico" mas sim numa plataforme psicológica e de jogos emocionais...
Resta saber se esta é uma auto-biografia de um Clint já habituado a ter toda a gente a lamber-lhe as botas, e quem sabe, a tentar vingar na indústria pela via dos conhecimentos, não dando o que realmente importa a uma pessoa da 3ª idade... Atenção, respeito e afectividade.
Nota menos positiva para algumas cenas pouco credíveis dos Hmong. São actores claramente inexperientes e que são "formigas" ao lado do magnânime Clint Eastwood.
Por este facto leva:
.
Classificação:
****

sexta-feira, 27 de março de 2009

Marley & Eu (Marley & Me)

O que espera de “Marley & Eu”? …Eu não esperava mais do que um filmezinho descontraído e bem disposto, com um cachorro irresistível e amoroso, no fundo, um retrato fiel de um bestseller despretensioso que eu não li. E foi isso que obtive.
Jannifer Aniston e Owen Wilson garantiam beleza e boa disposição e um monte de labradores (que interpretaram Marly desde o berço até à velhice) prometiam momentos de ternura. Não me enganei.
O filme concentra as atenções nas peripécias de um labrador irreverente que começa por ser apelidado de “o pior cão do mundo” e acaba por chegar a ser o elemento central de uma família coesa, em torno do qual todos giram, com mais ou menos benevolência e mais ou menos carinho, mas sempre tendo-o como o centro das atenções (o bicho faz por isso!). Ou seja, acompanhamos o percurso de Marly como parte integrante de uma família e não como um apêndice dispensável. Não é um filme sobre o amor aos animais, mas faz mais por essa mensagem do que todos os panfletos e campanhas da agressiva PETA (People for the Ethical Treatment of Animals).
E não há muito mais a dizer sobre “Marly & Eu”. A realização não se nota, nem a fotografia, nem a cinematografia. Os cenários são banais e competentes, cumprindo as funções pouco exigentes que lhes eram exigidas. O guião é simples e eficaz ou não tivesse por base os escritos de um jornalista. Aliás, talvez mereça referência o retrato da insatisfação do dono de Marly como jornalista. É uma side story simples, coerente, fiel à possível realidade de John Grogan. O mesmo para o retrato das crises e motivos de discórdia de um casamento entre duas pessoas que se amam. Bem escrito, sem momentos demasiado catárticos, mas com algumas lições.
No fundo, apesar de não ser um filme memorável, tudo é eficaz… e perfeitamente olvidável. Excepto, talvez, o cão e as frases finais, que numa tentativa de fazer o closure de um filme descontraído com uma espécie de resumo moral (tentação muitas vezes criminosa e que resulta em rotundos falhanços!), nos lembra que não há muitas pessoas que nos amem incondicionalmente e que nos fazem sentir especiais, mas há muitos animais que o fazem. Perfeito final para os animal lovers. …É o meu caso.

Classificação:
***

quarta-feira, 25 de março de 2009

Milk (Milk)

Faço minhas as palavras do Primeiro-Ministro José Sócrates! Calma, não estamos a falar de política… Estamos a falar de filmes: Vão ver o “Milk”! Vale mesmo a pena!
Sean Penn é brilhante, incrível, soberbo, fantástico! Qualquer elogio fica aquém daquela interpretação. Ele foi PERFEITO, com maiúsculas. Já nem me lembro dele sem ser um gay orgulhoso. Se é straight, depois disto ninguém diria!
E os elogios ao filme não se resumem a Penn. É tudo bom. Bem delineado. Bem conseguido. Eficaz.
Este filme, sim, é uma biografia, da personagem Harvey Milk e da luta pelos direitos dos homossexuais. Acompanhamos Harvey desde que ele é um gay reprimido em Nova Iorque e se apaixona pelo companheiro que o faz mudar de vida, até ao seu momento final, já no congresso Norte Americano como senador por São Francisco e através de uma vida recheada de momento decisivos e cheios de determinação.
O elenco é brilhante nas suas interpretações. Até as personagens mais exuberantes são humanamente realistas. O guião é despretensioso e eficaz, tornando os momentos climáticos em peças naturais que se vão encaixando no puzzle, sem qualquer sensacionalismo ou aproveitamento gratuito. E Gus VanSant, sempre sem medo de mostrar as cenas mais cruas, leva-nos apenas aos limites do desconforto, não chegando a ultrapassá-los. Não podemos esquecer que estamos a falar de homossexualidade. E, mesmo depois de Brokeback Mountain, o pudor e o preconceito em revelar momentos íntimos entre dois homens mantêm-se no cinema. Mas não neste filme.
Em resumo, só não mereceu o Óscar de Melhor Filme porque apareceu o surpreendente “Slumdog Millionaire”…

Classificação:

*****

segunda-feira, 23 de março de 2009

Che: Primeira Parte - O Argentino (Che: Part 1)

“O Argentino” não é a biografia de Che, é a biografia da revolução Cubana. Neste filme, Steven Soderbergh consegue esquecer-se do seu estilo, perder uma boa história e passar ao lado do cerne de uma personagem icónica que tinha tudo para cativar o público. Há quem espere pela segunda parte da obra para decidir se é boa ou má... Eu não tenho ilusões de que essa possa vir a salvar o emaranhado de batalhas e personagens sem história com que o realizador nos aborreceu nestas duas horas e picos de filme.
Benicio del Toro safa-se. Safa-se, não! Na verdade, é brilhante ao confundir-se com o ícone que estamos habituados a ver em t-shirts e bandeiras desde os tempos de liceu. Pena é que não lhe tenham permitido interpretar um Che com emoções genuínas, em vez de escrúpulos cirurgicamente estudados para nos dar a ideia de um homem recto e justo. Aquele Che é totalmente falso como ser humano. E Benicio não tem culpa disso.
Dissecando… O início do filme cheio de legendas escritas a branco - cujo objectivo é levar-nos de trás para a frente no tempo entre a Cidade do México dos anos 50, onde ainda apenas se discute a possibilidade da revolução, e a Nova Iorque de 1964, onde Che vai discursar nas Nações Unidas - em vez de nos deixar entrar serenamente na história, confunde-nos, chateia-nos e começa logo a colocar à prova a nossa paciência. Depois seguem-se uma série de imagens, sem história, em que Che já se encontra na selva Cubana a lutar por um país que não é o seu. A conversa com Fidel Castro, na Cidade do México, cronologicamente antecedente à decisão de se entregar à causa cubana, não nos explica quem é Che e porque é que um médico argentino com uma vida estruturada no México (que inclui mulher e filha) decide tornar-se guerrilheiro e lutar por uma pátria que não é sua. Não explica porque é que Ernesto Guevara tem uma mente megalómana e quer levar a revolução “a toda a América”.
Este “Argentino” é cubano quase desde início, quando é aliciado por um Fidel Castro, mais jovem e efeminado, apresentado já como “a” esperança para uma Cuba oprimida pela ditadura de Baptista. Aliás, quem quer saber, com rigor, quem são aquelas personagens todas, é bom que leia bastante, que google diligentemente a história da revolução cubana antes de se deslocar ao cinema ou saíra de lá como entrou…
Em resumo… Não conhecemos o passado, as motivações, as questões morais nem as paixões desta espécie de homens rectos e determinados, que se vão confundindo e que nos vão levando através de uma sequência de batalhas, do mato para as cidades cubanas, enquanto se aproximam de Havana para perpetrar o famoso golpe de estado. Sabemos que são bravos soldados dedicados à causa e sabemos que Fidel vai estabelecendo acordos políticos com outros grupos rebeldes, cujas pretensões e ideias nos são apresentados em meros segundos, sem que fiquemos a saber se devemos prestar-lhes atenção ou se não mais vão interessar para a história. Aquela sequência de batalhas datadas interessarão, eventualmente, aos cubanos e menos aos milhões de fãs de Che e ainda menos aos que se deslocaram ao cinema dispostos a deixarem-se fascinar por esta personagem marcante.
A luz surge após hora e meia de filme (ou coisa que o valha), quando a batalha está à porta de Havana e uma personagem feminina surge para nos questionar acerca do futuro amoroso de Che. Não é apenas ela que o consegue, mas é neste ponto da história que começa a haver um envolvimento emocional com o público, que começa a haver uma coerência naquela retrato e uma identificação mais segura das personagens. Mas é, sem dúvida, tarde demais...
…Continuo à espera de perceber quem era Ernesto Guevara. Mas já perdi a esperança de ter Soderbergh a elucidar-me. Será que me vou dar ao trabalho de ir ver se me enganei?


Classificação:
**

terça-feira, 17 de março de 2009

Valquíria (Valkyrie)

Num ano de grandes filmes, este é aquele que, talvez injustamente, “passou ao lado” de muita gente. E ou Tom Cruise está com a popularidade mesmo muito em baixo ou não há motivos para ignorar esta película.
A história é aliciante (uma conspiração na Alemanha dos anos 40 para matar o Führer), os actores são excelentes (além de Tom Cruise no papel principal, o de Coronel Claus von Stauffenberg, temos, por exemplo, um sempre competente Kenneth Branagh e um absolutamente surpreendente Bill Nighty no papel de um seriíssimo general alemão!), a realização de Bryan Singer é sóbria e capaz… A crítica terá sido, por isso, demasiado dura com este filme ao arrasá-lo completamente…
Mas nem tudo são rosas, obviamente. E os “pontos contra” também existem…
Para começar, todos sabemos como termina história, no entanto, isso nunca impediu ninguém de fazer um bom filme (Titanic é o exemplo gasto disso mesmo!). Talvez fosse interessante ter um pouco mais de emoção na forma como Bryan Singer filma a história, mas… transformar este filme sóbrio e interessante num thriller descarado desvalorizaria mais o resultado final do que acrescentaria valor, parece-me… Agora… aquela solução de começar com um Tom Cruise sério e convincente a falar alemão para passar para o inglês é arcaica e desinteressante, conseguindo arrancar um sorriso de cepticismo logo no início… Mas o que, claramente, falta é um pouco de contextualização sobre quem são os homens que querem matar Hitler e como é possível que sobrevivam de forma tão ostensiva na Alemanha nazi.
Feitas as contas, o filme recomenda-se. A surpresa de uma história diferente num contexto histórico que todos julgamos conhecer, as interpretações dos fantásticos actores e o sucesso em manter o público respeitoso e reverente perante aquelas figuras distintas e corajosas fazem com que valha a pena pagar um bilhete. E, no fundo, esse é o derradeiro teste…

Classificação:
***

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Leitor (The Reader)

Minhas senhoras e meus senhores, vamos todos tirar o chapéu a Kate Winslet!! Para quem pensa ela é só mais uma cara bonita, está bem enganado. Hanna Schmitz (personagem de Kate Winslet), é uma mulher intrigante que estabelece contacto (sim, esse tipo de contacto que estão a pensar, seus pervertidos!) com um adolescente (Michael Berg interpretado por Ralph Fiennes). Para além do calor e emoção, o adolescente lia sempre um livro a pedido de Hanna. Este é o mote para um filme que nos leva para o pós-Segunda Guerra Mudial, na qual Hanna tinha participado como guarda em Auchwitz, sendo presa e julgada no decorrer da história.

É obvio que não vou contar o filme, apenas alerto para o facto de não ser aconselhável ter a avó por perto na primeira hora de filme (as cenas se sexo entre o rapaz e Hanna são algo repetitivas e até mesmo inquietates pela maneira "crua" como são apresentadas). No entanto, revela-se um filme com um guião fantástico e com uma Kate Winslet a encarnar as várias fases da vida da personagem que lhe valeu (merecidamente, a meu ver) o Óscar de melhor atriz principal.

Pelo guião e pelas excenlentes interpretações dou...
.
Classificação:
*****

quinta-feira, 5 de março de 2009

O Wrestler (The Wrestler)

Ora, aqui está a desilusão do ano! Não, não me refiro a Mickey Rourke. Ele é brilhante neste retrato de um wrestler decadente. Só não sabemos quanto daquela personagem é Mickey Rourke e quanto daquilo é um construção de um grande actor… Refiro-me ao filme em si e a todas as expectativas criadas em torno dele.
Sim, é um bom retrato, cru e perturbador, de uma América que cria ídolos e os deixa cair sem respeito pelo passado e de um homem para quem o sonho americano não resultou em pleno (e aqui estou quase a citar os críticos profissionais!), mas não é nada mais do que isso. Ou seja, a viagem emocional é mínima, a informação sobre as personagens é mínima - embora consigamos perceber, talvez por conhecermos os estereótipos, quem são - e a evolução de todos os elementos é nula. É um filme triste, contido, enervante (aquela câmara sempre nas costas das personagens chegou ao ponto de enjoar), que nos deixa na dúvida sobre se devemos ter absoluta empatia com a personagem (é isso que o filme sugere) ou considerá-la um idiota chapado, que não aprende com os erros, não tem força para mudar e que não cresce, nem quando já tem idade para “ter juízo”.
A forma crua de filmar e dar a conhecer as vicissitudes de um desporto que todos julgávamos “de mentirinha” (ler com sotaque) e a construção de uma personagem sólida e consistente merecem elogios. De resto, não corresponde às expectativas… que, na verdade, eram MUITO altas...

Classificação:
***

terça-feira, 3 de março de 2009

O Curioso Caso de Banjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)

Tem tudo para ser um grande filme. Uma história que atravessa gerações. Uma personagem principal diferente. Um romance arrebatador. Cenários magníficos. Um guião consistente que acaba por ser verosímil. E lições de vida. Mas não chega para ser um filme que ganha 13 Oscars. Não é uma biografia de uma personagem real, não exige do actor nenhuma adaptação física difícil (os efeitos visuais do filme são, salvo raríssimos momentos, brilhantes), não nos ensina muito acerca de história ou de sociologia ou de política. Não nos mostra cultura demasiado exóticas. É entretenimento puro. E entretenimento não ganha Oscars. …Só por isso o filme não deslumbra totalmente.
“O Estranho Caso de Benjamin Button” é um filmezão. Um épico, duro, longo, bem estruturado, que prolonga a dor de uma vida difícil, mas que nem por isso passa ao lado dos prazeres da vida. Um amor infantil e impossível, transforma-se numa paixão arrebatadora e depois num carinho respeitoso e cheio de deveres, deixando-nos a todos com um nó na garganta que perdura durante dias… Pelo menos até nos lembrarmos que a vida está nas nossas mãos.
Benjamin tinha uma razão objectiva que o fazia ser diferente dos outros(nasceu velho e morreu novo). Era efectivamente diferente, havia algo que o impedia de viver como queria viver, de ser “normal”, de ser feliz. Mesmo assim, soube sê-lo. A nós, espectadores em geral, são apenas os “macaquinhos no sótão” que nos impedem de atingir a felicidade. Nem que seja apenas para tirar essa conclusão ao sair da sala de cinema, já valeu a pena pagar o bilhete... Não?


Classificação:
****

domingo, 1 de março de 2009

Revolutionary Road (Revolutionary Road)

Este filme não é para toda a gente. Há quem vá achar que é paradão, chato, desinteressante. Há quem pense que foi perder duas horas ao cinema. Para mim é um dos melhores filmes de um ano carregadinho de óptimos filmes.
Revolutionary Road é acerca do comportamento humano. Só. Recheado que subtilezas e leituras nas entrelinhas, pouco é o que diz e muito o que deixa para sentir.
Concretamente, Leo e Kate fazem o papel de um casal no meio de uma crise matrimonial. Ela está farta da vidinha nos subúrbios e quer mudar tudo. Ele está aborrecido e desiludido também, mas não sabe o que quer. Amam-se, mas não estão a conseguir encontrar-se. A aparente solução para a crise chega com a sugestão de se mudarem para Paris. Enquanto prepara a mudança, o casal volta a ser feliz, contra tudo e contra todos. Mas a vida é cheia de surpresas e nem tudo corre conforme o previsto. Há quem duvide, quem critique, quem interfira e quem mude de ideias...
É um filme sobre um casal perante o qual ninguém fica indiferente. E o desafio para o espectador é descobrir porquê. Porque é que eles são especiais? Quem encontrar a resposta para esta pergunta, ficará a conhecer-se melhor a si próprio. A interpretação de cada reacção, de cada mudança na história, de cada questão levantada é muito pessoal e diz muito sobre cada um de nós.
As interpretações são excelentes (embora não seja um filme pelo qual eu daria um prémio à Kate), o guião é brilhante, a realização e cinematografia adequadas e cheias de subtilezas que enriquecem a história e os cenários são fantásticos. Só não é, para mim, o melhor filme do ano porque não traz nada de novo em termos estéticos.


Classificação:
*****

"Qué Frô" na red carpet


Pois é, é bom saber que em hollywood também há espaço para comuns mortais, que sem falsas pretenções nos mostram aquilo que são sem filtros, sem o "politicamente correcto" ou até mesmo o "engomadinho". Se não gostam comam pipocas!

Assim foi o desfile em "bando" pela red carpet da comitiva indiana, juntos no filme e inseparáveis na cerimónia dos Óscares. Foi absolutamente poética a maneira como foram desfilando todo o exotismo e magia indiana presente no filme até ao púlpito.

Óscares à parte, este é um filme em que o "acaso" toma proporções gigantescas. Uma série de perguntas aparentemente impossíveis de responder (para um "puto" indiano), acabam por ser respondidas corretamente, deixando apresentador e país de boca aberta. A boca ficou tão aberta que a polícia encontrou aí um excelente motivo para dar-lhe um bom "arrail de porrada" para que este confessasse uma possível fraude. Se foi fraude ou não terão que ver o filme.

No entanto, no decorrer de "Slumdog milionaire", uma série de episódios na índia mais profunda e caótica, revelam pequenos pormenores que levam às respostas do programa que o nosso "herói" está prestes a vencer e convencer.

Como nenhum filme vive bem sem uma história de amor, Latika, uma jovem pela qual o protagonista está apaixonado desde "sempre", acaba por ser o principal motivo da participação no concurso.

Se para além do dinheiro ele ainda fica ca "gaja", terão mesmo que ver o filme!!

Para concluir, este bollywood filme é talvez o culminar de uma "era" em que a Índia e o povo indiano, com todo o seu esforço, se implementou no mercado britânico (fruto das anteriores gerações que se mudaram para lá). O guião é arrebatador, bem como a filmografia e a criação de ambientes através da côr que fazem deste filme uma verdadeira Obra de Arte (muito para além do cinema que apenas serve para nos fazer ruminar pipocas).

Apesar de não ser o filme da minha vida, é um filme que todos devemos ver uma vez na vida e por isso leva...
.
Classificação:
*****

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

10 anos de Amy Adams

Para todos os que ficaram de boca aberta com a excelente interpretação da italiana Amy Adams no filme "A Dúvida" aqui está a sua filmografia

Filmografia
Ano
Título
Papel
Notas
2009




Julie & Julia
Julie Powell
pré-produção
2008
Doubt
Sister James
filmando; em negociação
Miss Pettigrew Lives for a Day
Delysia Lafosse
completo
Sunshine Cleaning
Rose Lorkowski
completo
2007
Charlie Wilson's War
Bonnie Bach
Enchanted
Giselle
Indicada para o prémio BFCA como Melhor Atriz.

Indicada para o Golden Globe como Melhor Atriz - Musical ou Comédia

Indicada para o Satellite Awards como Melhor Atriz - Musical ou Comédia
Underdog
'Sweet' Polly Purebred (voz)
The Ex
Abby March
2006
Talladega Nights: The Ballad of Ricky Bobby
Susan
Tenacious D in: The Pick of Destiny
Gorgeous Woman
Moonlight Serenade
Chloe
2005
Standing Still
Elise
Junebug
Ashley
Ganhou o prémio BFCA Critics' Choice como Melhor Atriz Coadjuvante.

Indicada para o prémio SAG como Melhor Atriz Coadjuvante

Indicada ao Óscar como Melhor Atriz Coadjuvante
The Wedding Date
Amy
2004
The Last Run
Alexis
2002
Catch Me If You Can
Brenda Strong
Serving Sara
Kate
Pumpkin
Alex
The Slaughter Rule
Doreen
2000
The Chromium Hook
Jill Royaltuber
Psycho Beach Party
Marvel Ann
Cruel Intentions 2
Kathryn
Somente para DVD
1999
Drop Dead Gorgeous
Leslie Miller