quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street 2: Money Never Sleeps)

O retrato de quem nos trama...

Devo em primeiro lugar realçar que este filme é uma agradável surpresa, e que não é necessário ser-se um guru da economia para perceber que a ficção traduzida neste filme, reflecte a realidade da crise grave que nos afecta a todos, fruto da ganância e lucro descontrolado.
A sinopse da Lusomundo diz:"Quando Gordon Gekko (Douglas) sai da prisão, depara-se com o mundo que outrora dominava. Procurando restabelecer relação com a filha (Mulligan), torna-se sócio do seu noivo Jacob (LaBeouf), que o começa a ter em consideração como um pai. Mas Jacob cedo descobre que Gekko, ainda um génio da manipulação e dissimulação, está atrás de algo muito diferente da redenção."
Assim, Oliver Stone mostra-nos o mundo do crime de "colarinho branco" tantas vezes impune durante anos a fio. O ar esgazedo de Douglas mostra bem toda a força que o dinheiro representa nas suas acções menos lícitas e nem a família o afasta dos seus objectivos e instintos mais primários, ou será que não?...

Classifição:
****

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Oh Não! Outra vez Tu? (You Again)

Os (bons?) velhos tempos...

Tem a sinopse mais curta de sempre: “Quando uma jovem percebe que seu irmão está prestes a casar com a rapariga que a perseguia no colégio, faz de tudo para a expor.” E o problema é que diz mesmo tudo!
A parte mais interessante do filme é ver dois “pesos pesados” do cinema - Jamie Lee Curtis e Sigourney Weaver – mais “crescidos” e a curtir cada cena “destranbelhada”. Encarnam respectivamente a mãe do noivo e a tia (e única familiar) da noiva e têm um passado em comum: também elas se desentenderam no liceu. Além destas duas belíssimas actrizes está Betty White no elenco, o que é, desde logo, uma garantia de uma boa risada. E há também a fantástica Kristin Chenoweth (http://www.youtube.com/watch?v=U5liuHR6wug) num papel necessariamente abaixo das suas capacidades.
É um filme “esquecível”, mas que serve para recordar o bullying do liceu (sim, cá também o há… mas parece é mais psicológico do que físico, ao contrário do que acontece nos EUA)…

Classificação:
**

Hachiko - Amigo para Sempre (Hachiko: A Dog's Story)

Para os amantes dos animais

“Hachiko é um cão especial, com a alcunha de "Hachi", e acompanha o seu dono Parker, um professor universitário, todos os dias, até a estação de comboios para o ver partir, retornando à estação, todas as tardes para cumprimentá-lo ao final de cada dia. A natureza emocionalmente complexa do que sucede quando esta sua rotina descontraída é interrompida, faz da história de Hachi, um conto intemporal. A fiel devoção de um cão ao seu dono mostra o grande poder do amor e revela que o mais simples dos actos pode tornar-se no mais grandioso gesto de todos”, diz a sinopse da Lusomundo.
Richard Gere aceitou fazer um filme que esquece totalmente o ritmo e os gimmicks próprios de Hollywood para contar a história simples e comovente de um cão e da sua dedicação ao seu dono. A obra é baseada num filme original japonês, que contava a história verídica de Hachiko ("cão fiel Hachikō" em tradução livre do japonês) de um cão da raça Akita, nascido em 10 de Novembro de 1923 na cidade de Odate, no município de Atika, que ainda é lembrado por sua lealdade ao seu dono, uma dedicação que perdurou mesmo após a morte dele. Obviamente, na versão americana, Hachiko atravessa um oceano para se encontrar com Gere, encarnado na pele de Parker.
O filme não tem ritmo, não tem plot points, não tem a estrutura a que o cinema americano nos habituou… mas, para quem tem a paciência de o ver chegar ao fim, é enternecedor e comovente. Indicado para todos os amantes dos animais.

Classificação:
***

domingo, 24 de outubro de 2010

Comer Orar Amar (Eat Pray Love)

Espiritualidade à Americana

De acordo com a sinopse da Lusomundo, Liz Gilbert (Julia Roberts) tinha tudo o que uma mulher moderna deseja – um marido, uma casa, uma carreira bem sucedida. Mas ainda sim, como muitas outras pessoas, sente-se perdida, confusa e em busca do que realmente deseja na vida. Recentemente divorciada e num momento decisivo, Gilbert saí da sua zona de conforto, arriscando tudo para mudar de vida, embarcando numa jornada à volta do mundo que se transforma numa procura por auto-conhecimento. Nas suas viagens descobre o verdadeiro prazer da gastronomia em Itália; o poder da oração na Índia, e, finalmente e inesperadamente, a paz interior e equilíbrio de um verdadeiro amor em Bali. Baseado no best-seller autobiográfico de Elizabeth Gilbert, Comer, Rezar, Amar prova que existe mais de uma maneira de levar a vida e de viajar pelo mundo”.
Ao que parece, a América recebeu o livro e o filme como a nova fórmula para a busca da felicidade. Liz Gilbert é, para o Americanos, uma mulher corajosa e espiritual, com direito a entrevistas em directo na Oprah e um filme protagonizado por Julia Roberts - que, imagine-se!, comeu mesmo pasta! Não mastigou e deitou fora os hidratos de carbono, como fazem as grandes actrizes de Hollywood quando são obrigadas a envenenar-se desta forma vil em prol de um (bom?) papel. Seria de esperar que do lado de cá do Oceano Atlântico a percepção fosse a mesma?
O livro foi, igualmente, um best seller na Europa e (diz-se!) até fez aumentar o número de turistas em Itália, na Índia e na Indonésia – afinal, o que vem da América com selo de “fantástico” raramente é ignorado. O filme, por arrasto, também. Mas, talvez pela diferença geográfica e cultural ou apenas pela falta de uma certa infantilidade humanística que existe na Terra do Tio Sam, deste lado “do lago”, a Liz Gilbert do filme parece uma mulher limitada e egocêntrica que anda à procura da espiritualidade em todos os locais errados… E, ao que parece, há na obra uma enorme confusão entre “felicidade” e “paixão”, porque, na realidade, o que Liz encontra é um novo amor. Pode argumentar-se que o encontra (e é “grande”) porque está finalmente preparada para isso. Sim, talvez seja verdade. Vamos acreditar que é mesmo essa a conclusão do filme ou ele deixará de fazer qualquer sentido…
Pelas questões pertinentes que levanta e os pormenores que traz à luz sobre as diferenças entre homens e mulheres e o que se passa, em geral, no íntimo do espírito humano, vale a pena ir ver e até estar disponível para verter uma ou outra lágrima mais persistente. Mas, por favor, não se dirijam ao escuro da sala a pensar que vão ver uma obra que vos vai mudar a vida, porque não vai. Será uma sorte se, duas semanas depois, se lembrarem de algo mais do que a Júlia Roberts toda babada de pasta…

Clasificação:
**

Embargo

Humanidade nas quatro rodas

“Nuno é um homem que trabalha numa roulotte de bifanas, mas que inventou uma máquina que promete revolucionar a indústria do calçado - um digitalizador de pés. No meio de um embargo petrolífero e deparando-se com uma estranha dificuldade, Nuno tenta obstinadamente vender a máquina, obcecado por um sucesso que o fará descurar algumas das coisas essenciais da sua vida. Quando Nuno fica estranhamente enclausurado no seu próprio carro e perde uma oportunidade única de finalmente produzir o seu invento, vê subitamente a sua vida embargada…”, diz a sinopse.
Saramago escreveu esta belíssima metáfora (sobre a humanidade que, se pudesse, ia de carro à casa de banho), António Ferreira (Esquece Tudo O Que Te Disse, 2002) filmou-a respeitando a luz sombria do autor da história, Coimbra serviu de cenário (embora discretamente e sem qualquer referência directa) e Cláudia Carvalho (lindíssima e talentosa) e Eloy Monteiro (muito convincente no papel tresloucado de Nuno) dão vida aos papéis principais com competência e seriedade. Fernando Taborda e José Raposo são irrepreensíveis. E o jovem Miguel Lança poderá ser um óptimo actor quando deixar de acusar o peso da responsabilidade de estar a contracenar com figuras consagradas.
O principal desafio do filme para o espectador é tentar adivinhar em que época é que a história ocorre, já que os carros são da década de 80, mas há telemóveis enormes (anos 90) e euros (anos 2000). De resto, é uma história de Saramago. Ou seja: óptima metáfora, história tresloucada e porca e nula conclusão.

Classificação:
***

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Karate Kid (The Karate Kid)

A tradição está de volta

Uma excelente surpresa este novo Karate Kid. Ok, já conhecemos a fórmula e tudo o que se vai passar durante o filme se estivémos minimamente atentos aos anteriores. No entanto, é a grande interpretação de Jaden Smith e Jackie Chan que tornaram este filme numa merecida homenagem a este género cinematográfico.
A sinopse é igual a todos os outros Karate Kid, não fossem os fãs ficar decepcionados: Dre Parker (Jaden Smith), é um garoto de 12 anos de Detroit, cuja carreira da mãe acaba por levar para a China. Dre apaixona-se pela sua colega de turma Mei Yin, mas as diferenças culturais tornam a amizade impossível. Pior ainda, os sentimentos de Dre fazem com que colega de turma e prodígio do kung fu Cheng se torne seu inimigo. Sem amigos numa nova cidade, Dre não tem a quem recorrer excepto o porteiro do seu prédio Mr. Han (Jackie Chan), que é secretamente um mestre do kung fu. À medida que Han ensina a Dre que o kung fu é muito mais que socos e habilidade, mas sim maturidade e calma, Dre percebe que encarar os coelgas de turma será a aventura de uma vida.
Interessante este "schift" de Karate para Kung fu nunca explidado no guião, mas o que é que interessa? Os golpes são igualmente surpreendentes e a filosofia por trás destas artes marcias é mais uma vez um ponto importante na acção. Se pudesse dar pontuação apenas aos interpretes levariam 5, no entanto e porque este guião não apresenta nada de supreendentemente novo leva:

Classificação:
****

Os Mercenários (The expendables)

A mesma fórlmula na versão VIP

Após breves instantes percebemos que já vimos este filme: no Rambo, em guerra aberta com os russos ou no Comando, em que não escapa o piriquito. No entanto já não leva porrada em toda a primeira parte do filme, uma vez que deixa uma lembrança considerável no adversário antes de passar ao ataque. A sinopse é clara e não deixa dúvidas que o guião será mais um entre um milhão: Os Mercenários é um filme de acção sobre um grupo de mercenários contratado para se infiltrar num país sul-americano e tirar do poder um ditador fora de controle. Logo no início da missão, estes começam a perceber que as coisas não serão tão fáceis quanto imaginavam, e vêem-se no meio de uma intrincada rede de mentiras e traições. Uma vida inocente é colocada em risco e os mercenários têm de encarar desafios em escalada crescente de dureza, os quais podem inclusive destruir a unidade da própria equipa.
De destacar a inteligência e pertinência de alguns diálogos (como por exemplo a cena em que entra Schwarzeneger). No entanto, vemos os grandes actores de acção na sua "confort zone" dando ao público o que ele compra... porrada... tiros... e muita porrada...
Assim, pelo défice de originalidade mas porque os actores estiveram ao nível do guião de Stallone, leva três morteiros.

Classificação:
***

domingo, 19 de setembro de 2010

Salt (Salt)

O melhor filme de acção dos últimos tempos

Este filme é uma autêntica surpresa. Quem for ao cinema à espera de um banal filme de acção americano - mesmo que assuma que Angelina Jolie sabe o que escolhe - não estará seguramente preparado para esta história.
“Como uma agente da CIA, Evelyn Salt (Angelina Jolie) fez um juramento sobre o dever, a honra e o país. Mas a sua lealdade será testada quando um desertor a acusa de ser uma espiã russa. Até a situação ser resolvida, Salt decide fugir, usando todas as suas habilidades e anos de experiência como agente secreto para escapar à captura. Ela tenta provar sua inocência, mas os seus esforços começam a pôr em causa as suas motivações. Enquanto a captura continua eminente, a verdade por trás da sua identidade contínua em questão: Quem é Salt?”
Acreditando na sinopse da Lusomundo, Salt é uma daquelas películas sobre o amor à pátria, já vistas mil vezes no cinema americano, com espionagem e contra-espionagem e muitos tiros e fugas. Não deixa de o ser. Mas, desta vez, talvez por este ser um papel originalmente escrito para Tom Cruise e depois adaptado a uma mulher ou apenas por os guionistas serem simplesmente extraordinários, o espectador “apanha” com uma narrativa densa e bem pensada, com muitos valores básicos e histórias humanas à mistura. Ela parte de um denominador comum mil vezes explorado e dá-lhe um tom absolutamente humano e pessoal. E isso torna esta obra diferente.
É tudo bom. Angelina está no registo que melhor aproveita todas as suas capacidades (físicas e interpretativas), a história é sempre surpreendente - mesmo quando os resultados são os que o espectador suspeita, eles vêm with a twist – e as cenas de acção são irrepreensivelmente coreografadas, sempre no limite daquilo que o espectador aceita que seja, vá, “possível”.
O finalzinho deixa uma ponta solta (o Presidente Americano não terá a resposta que todos procuram?), mas talvez esse “erro” de lógica seja o mote necessário para o desenvolvimento da sequela. Venha ela!

Classificação:
*****

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Kiss & Kill - Beijos & Balas

Kutcher a tentar provar que pode fazer filmes de acção

Misturam-se dois actores bonitos, um guião pouco ambicioso, uma história de amor pouco verosímil, o cenário magnífico do Sul de França e alguns momentos de romance e acção e encontra-se a receita para o filme adequado a uma tarde preguiçosa de Verão. Não obriga a pensar. Arranca um sorriso por ser tão docemente falso. Mas cumpre o objectivo de fazer passar cerca de duas horitas a ver coisas bonitas e a não pensar em problemas.
Ashton Kutcher não é só o actor principal, é também um dos produtores desta … hum… "obra". E talvez o objectivo dele seja apenas provar aos estúdios de Hollywood que também sabe fazer filmes de acção, já que este guião explora – embora mal! – o mundo dos agentes secretos... Katherine Heigl está a fazer a difícil transição entre a televisão e o cinema. E está, então, a seguir a fórmula escrita nos manuais hollywoodescos para isso, começando pelas comédias românticas pouco ambiciosas. Se tiverem a coragem de ser persistentes, os dois serão grandes actores quando o público que os ama agora estiver um pouco mais crescido e os chefões de Hollywood já tiverem a confiança necessária para lhes dar os papéis que realmente merecem.
Para já, é isto que temos: “Um agente secreto apaixona-se loucamente, e abandona a sua profissão quando decide casar-se com a mulher dos seus sonhos. A vida de sonho do casal é perturbada quando ele descobre que está a ser vigiado há bastante tempo e qualquer um dos seus vizinhos ou amigos pode ser o assassino contratado para o matar.”

Classificação:
**

domingo, 22 de agosto de 2010

A Origem (Inception)

A heist movie with a twist...

“É um filme fantástico!”“Esse é muito bom.” “Vai ver esse que vais gostar.” Foi a ouvir frases destas que eu decidi comprar bilhete para ir ver o último filme de DiCaprio. Não é que precisasse de incentivo – ele faz bons filmes e, desta vez, unia-se a Christopher Nolan, responsável pelo fantástico “Cavaleiro das Trevas” –, mas há muito tempo que não ouvia tal unanimidade entra o público leigo e a crítica.
Quando entrei na sala escura, esperava ser desafiada intelectualmente e ver uma obra nada menos do que brilhante. É possível que o seja, mas mistura alguns dos estilos que eu menos aprecio: a ficção científica com o filme de assalto. É verdade que faz a fusão de forma brilhante, desafiante e que, no meu ponto de vista, acaba por melhorar os dois géneros, mas não vim deslumbrada, porque achei que a premissa, a exposição das intenções, é muito mais interessante do que a posterior simplicidade do enredo. Mas pode ser apenas uma questão de gosto…
Ora, Leo DiCaprio (o tal que começou a ser nomeado para o Óscar de melhor actor aos 20 anos, mas nunca ganhou nenhum por ser bonito demais) é Dom Cobb, um talentoso ladrão, “o melhor na arte da extracção: ele rouba segredos e ideias às pessoas directamente das profundezas das suas mentes, durante os sonhos – estado em que a nossa mente está mais vulnerável. A rara habilidade de Cobb fez dele uma das pessoas mais influentes neste novo mundo de espionagem empresarial, mas também fez dele um fugitivo internacional e custou-lhe tudo o que já amara. Mas agora foi-lhe oferecida uma oportunidade para se redimir. Um último trabalho pode devolver-lhe a sua antiga vida. Em vez do assalto perfeito, Cobb e a sua equipa de especialistas têm exactamente de fazer o inverso: instalar uma ideia na mente de alguém”, diz a sinopse da Lusomundo.
A premissa é óptima, mas o enredo é banal. Esperava, sinceramente, mais. Querem uma prova de banalidade? A personagem principal é um ser torturado cujo sucesso da missão que tem em mãos determinará também o sucesso da resolução do seu conflito interior… No fundo, é um heist movie with a twist - em vez de roubarem algo, vão colocar algo na mente de alguém, mas nem por isso deixa de haver metáforas sonhadas de fortes inexpugnáveis, prisões e perseguições, tiros e fugas em countdown. A única personagem redonda é Cobb, todas as outras são bonecos sem passado nem futuro. E a história de Cobb torna-se repetitiva e até previsível. O ritmo, no entanto, é excelente, bem como a exploração do banal enredo, que se torna interessante por ocorrer na mente humana e no mundo dos sonhos, o que dá azo a grandes desafios de lógica e de gravidade, o que, por sua vez, permite / exige extraordinários efeitos especiais. E eles existem.
Não há nada a apontar à produção, nem às interpretações dos actores, embora se olhe com estranheza para o facto de terem escolhido a jovem (jovem, jovem!) Ellen Page como a arquitecta de sonhos, o génio do filme. Talvez a personagem exigisse alguém mais “experiente” para ser credível...
No geral, é um filme que vale a pena ir ver, mas sem o preconceito de achar que vai ser absolutamente extraordinário, já que o público tem tendência a dizer isso sobre tudo aquilo que tem dificuldades em perceber na totalidade, como a relatividade da lógica dos sonhos e as fórmulas matemáticas em que assentam os labirintos da mente… É possível que se torne um filme de culto, como “Matrix”, exactamente pela premissa que apresenta. Não me admiraria nada que aparecessem a partir de agora mais filmes a usarem como base da história o campo dos sonhos e o assalto às ideias durante o sono. É esperar para ver…


Classificação:
****

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Contraluz (Backlight)

Os acasos da vida

Este filme é sobre os acasos da vida… E foi, talvez, por acaso que fiquei a saber da morte de António Feio - o actor que deu a cara para defender a obra de Fernando Fragata e que tantas vezes vi no magnífico trailer do filme - exactamente no momento em que regressava a casa depois de ver a fita no cinema. Um acaso do qual não me vou esquecer jamais. António Feio transformou-se numa lenda, não só devido à “enorme” carreira que teve, mas também devido à lição de vida que deu a todos nós pela forma como enfrentou o pior pesadelo possível. “Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros, apreciem cada momento, agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer. Esta uma das fortes mensagens deste filme”, diz na intervenção que antecede o trailer. Sim, vamos todos tentar seguir o teu exemplo. Eu, pelo menos, prometo fazê-lo.
Mas comecemos “pelo princípio”… O próprio trailer. Não vou discorrer sobre a mensagem de António Feio, que nos arrepia a todos e está tudo dito. Mas o próprio trailer. O texto que o introduz. Joaquim de Almeida ajoelhado no deserto. O carro. O GPS. A voz que o chama. BRUTAL! O melhor que já vi. Dá lições. Tirem notas, porque é assim que se faz! Bravo!
Quanto ao filme, a sinopse é mais vaga que o trailer, mas ao contrário do anterior, não suscita interesse nenhum. Aqui fica, copiada do site da Lusomundo: “Várias pessoas sem ligação entre si estão em situações de extremo desespero quando algo inesperado acontece que irá mudar radicalmente o rumo das suas vidas. Caberá a cada um moldar o seu destino de modo a reencontrar a felicidade. Mas há destinos que só se alcançam depois de alterar o dos outros.” Fraquinha. O filme é mais do que isto.
O filme começa com um Joaquim de Almeida amargurado, numa personagem sombria, a quem morreu a esposa. O espectador testemunha o renascer desta personagem naquela que é a passagem mais desinteressante do filme. Com um contexto demasiado longo, é um trecho com pouco ritmo. É de propósito, eu sei, a personagem está sem ritmo e o espectador sente-o… infelizmente durante demasiado tempo… Mas o actor entrega o que lhe pedem, sem dúvida, e a “história da personagem termina onde a obra começa a suscitar verdadeiro interesse.
A partir daí é puro entretenimento, sempre com mais questões para responder, sempre com ritmo, sempre em crescendo. Digo “entretenimento” da melhor maneira possível (no sentido do fascínio que suscita no espectador, que deixa de olhar para o relógio e fica disponível para se deixar levar), sem que por isso a obra deixe de colocar muitas questões ao espectador, muitas “dicas” para pensar quando deitar a cabeça no travesseiro.
Notei um erro de anotação quando uma mochila vermelha suja é supostamente a mesma que aparece na cena (cronologicamente) seguinte já limpinha… Mas isso não chega para manchar a óptima obra de Fernando Fragata.
Uma nota final para Evelina Pereira. Nunca a tinha visto no papel de actriz. Não era uma personagem muito exigente, mas também não há qualquer reparo a fazer, além do facto de a câmara a adorar. Esteve bem e fica lindíssima dentro do camião.
Em resumo: mais um passo em frente para o cinema português.
…Mas, já agora… ADORAVA ver o dia anterior… da abelha… ;-)

Classificação:
****

Lucky Luke (Lucky Luke)

Um filme cartoon

Desculpem se vos vou estragar o suspense mas Les Daltons e Rantanpan não foram contemplados e o Jolly Jumper não tem a crina loura :(((((
Fora estes grandes percalços, o filme retrata de forma bastante divertida e fiel um dos meus personagens preferidos da banda desenhada John Luck ou Lucky Luke.
Uma pequena imprecisão é o facto de Phil DeFer não ser gigante (tal como nos livros) mas este não oferece nada de novo à acção (já avançada quando aparece).
A sinopse diz: Jean Dujardin interpreta o papel do "homem que dispara mais rápido do que a própria sombra": Lucky Luke. Quando se encontra em missão na cidade natal de Daisy Town, Lucky Luke vê o seu destino cruzar-se com o de Billy The Kid, Calamity Jane, Pat Poker, Jesse James e Belle. Sempre na companhia do seu fiel companheiro, Jolly Jumper...
Pelo facto de ser uma producção francesa que, não sendo o Sin City, conseguiu captar a essência do cartoon no grande ecrã leva:

Classificação:
****

Prince of Persia: Sands of time (Príncipe da Pérsia: As areias do tempo)

Do monocromático ao digital

Quem não se lembra de passar tardes a jogar aquele jogo que apenas tinha três cores: preto, branco e muito amarelo!! Talvez seja essa a verdadeira explicação para tanto daltonismo...
Prince era o nosso herói e a princesa nunca a cheguei a ver (por não ter conseguido chegar ao fim do jogo). Com 7 anos os desafios dos jogos spectrum apenas eram ganhos por nerds que, tal como eu passavam 24 horas por dia ao computador mas que não desligavam o computador uma vez que "load" e "save" ainda não constavam no dicionário informático.
Bom, o jogo era viciante mas este filme, nos dias que correm, é mais uma producção Disney milionária longe de despertar as paixões criadas dos anos 80.
A sinópse é simples: Nas místicas terras da Pérsia, um príncipe trapaceiro (Jake Gyllenhaal) une forças, contra a sua vontade, com uma misteriosa princesa (Gemma Arterton) e, juntos, irão enfrentar as forças do mal para proteger uma antiga insígnia capaz de libertar as areias do tempo - um presente dos deuses com o poder de voltar atrás no tempo que dará a quem o possuir a capacidade de dominar o mundo...
Tal como a sinopse também a classificação é simples...

Classificação:
***

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sexo e a Cidade 2 (Sex and the City 2)

Pouco sexo e pouca cidade

Estou um pouco desiludida com este filme. Já sei que é uma sequela e que as sequelas – salvo raríssimas excepções – são sempre piores do que o original. Mas, mesmo assim, as minhas expectativas estavam altas. Eu sou daquelas fãs, mesmo fãs, da série e, em 2008, temi muito o salto para o grande ecrã. A produção fez questão de manter a mesma equipa criativa e eu achava duvidoso que um guionista de TV conseguisse fazer a transição para a escrita para cinema sem vícios. Mas dei a mão à palmatória e achei o primeiro filme fabuloso. Encheu-me as medidas. Portanto, estava ansiosa por ver o seguinte, convencida de que os vícios se tinham perdido na primeira experiência cinematográfica. Estava enganada.
Este filme é apenas um episódio longo da série e dos mais fraquinhos. É uma hipótese de história mal explorada e superficial.
Se a Carrie vai ter uma crise no casamento, então, por favor, arranjem-lhe uma crise a sério! As dúvidas e questões da personagem neste filme estão ao nível da escola primária. Isto é, são questões que passam pela cabeça de qualquer mulher pelo menos uma vez por mês numa relação longa e não motivos para atravessar um oceano cheia de angústias e ir beijar o ex-namorado. Mas, assumindo que a personagem estava frágil, precisava de consolo e beijava, de facto, o ex-namorado, então, por favor, exagerem a questão, porque isto é cinema! E explorem a personagem do Aidan, que o público feminino adora e que aqui serviu apenas de adorno: sem continuidade, sem profundidade, sem voto na matéria. O mesmo acontece com todas as outras personagens masculinas.
Já sei que é uma obra que dá destaque à voz feminina, mas, em ocasiões anteriores, eram as acções dos homens que levantavam questões, que faziam as quatro amigas reagir, avançar. Desta vez não. Steve, Harry, Smith Jerrod, personagens marcantes da série, não chegam desta vez à qualidade de personagens secundárias. Estão lá, mas sem intervir verdadeiramente na acção. Só o Mr. Big tem um pouco mais de protagonismo, mas ele resume-se a comprar um plasma e a sentar-se no sofá…
As storylines das quatro personagens são, neste filme, potencialmente interessantes… mas mal exploradas, superficiais, tal como todos os ambientes circunstâncias em que foi colocada a acção (Médio Oriente: a repressão da sexualidade, a repressão da feminilidade, o uso da burka, etc.). Há um sem número de temas fascinantes, colocados em destaque, abordados de forma corajosa e logo a seguir… esquecidos. Quiseram-se destacar assuntos pertinentes a mais, não conseguindo depois ir ao cerne de nenhum.Fiquei com saudades das miúdas na mesma. Especialmente da Sam.
A Sam que apareceu neste filme não é credível. É ela, mas não com 52 anos e sim com 27, no máximo! Ou alguém acredita que, depois de um cancro, depois de uma relação profunda e compensadora (que, como tudo, na vida acabou, mas não deixou de ser compensadora), ela voltava a ser absolutamente leviana e sem qualquer desejo de intimidade…? Sexualmente livre, tudo bem! Mas com alguma maturidade, alguma busca por algo diferente, porque aos 52 anos a sexualidade não pode ser igual aos 20… Mas não. A personagem voltou ao início da série. Os anos não passaram. As situações não pesaram, não a mudaram. …Bom, há questão da menopausa. A menopausa da Sam é o comic relief. Aliás, a Sam é sempre o comic relief o que é óptimo, só que este tema em particular merecia mais profundidade, mais seriedade, mais clareza, mesmo fazendo rir (ou especialmente quando faz rir…).
O melhor momento do filme é a sequência quase final, em que as quatro mulheres voltam ao mercado local de Abu Dhabi. Finalmente há ritmo e bom humor e tudo aquilo que falta no resto do filme. Pena que só dure uns 5 minutos…As ideias são boas, os actores são bons, a produção é excelente (embora já seja MUITO cansativo aquele brand placement ininterrupto, a ponto de, a meia hora de filme, o espectador comum já estar FARTO de ver, ouvir, engolir marcas!!!). Com tudo o que o filme tem de mau, ainda fica a vontade de ver mais... A porta mantém-se aberta para o próximo filme. Eu - sempre fã da Carrie, da Charlotte, da Miranda e da Samantha - aguardo-as ansiosamente.

Classificação:
***

StreetDance 3D (StreetDance 3D)

Dançar está na moda e faz bem à alma

Carly ganha a vida a vender sanduíches, mas o que ela gosta mesmo é de dançar. Sem qualquer formação clássica, a jovem inglesa aprendeu tudo o que sabe com o namorado Jay, líder de um grupo de street dance que está a competir pelo lugar de melhor dance crew do Reino Unido. A pouca semanas da final do concurso, Jay pede um tempo à namorada e aos companheiros e desaparece. Carly herda e equipa e é obrigada a enfrentar, não só problemas criativos e de liderança, mas também as suas próprias inseguranças. De forma tentar vencer o concurso, a equipa vê-se forçada a ensaiar com os bailarinos da Escola Real de Bailado em troca da utilização do espaço da escola para treinar. E as diferenças não vão ser só de estilo...
A história é muito básica e própria para adolescentes. Mas quem vai ver um filme destes vai essencialmente à procura de excelentes bailarinos. E, isso, encontra de certeza. As piruetas da street dance e do ballet em 3D são do melhor que o género tem oferecido. Esqueçam os filmes de animação e corram ao cinema para ver bailarinos extraordinários suspensos à frente dos olhos da plateia se querem desfrutar da verdadeiramente da sensação 3D. Mil vezes mais bem conseguido do que um Avatar no que diz respeito a esta nova tecnologia! E, para quem ama Londres, esta é também a oportunidade de ver a cidade capturada de forma deslumbrante em filme, com respeito e profundidade. Para mim, ela é mais uma personagem do filme.
Entretenimento digno e puro.

Classificação:
****

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Robin Hood (Robin Hood)

O começo da lenda
Começando pelas versões de Errol Flynn (“As Aventuras de Robin Hood”, de 1938) e Kevin Coster (“Robin Hood: Príncipe dos Ladrões”, de 1991), passando pelo filme de animação da Disney (“Robin Hood”, de 1973) e pela irresistível paródia de Mel Brooks (“Robin Hood: Men in Tights”, de 1993) e terminando nas saudosas séries de TV que povoaram a minha infância e adolescência (“Robin of Sherwood”, de 1984 a 1986, e “The New Adventures of Robin Hood”, de 1998) , eu devo ser especialista nesta que é – além do MacGyver – a minha personagem favorita. Eu “papei” quase tudo o que foi produzido para os meios audiovisuais sobre este herói, até tive um trauma com um Robin Hood louro que não se googla em lado nenhum! E, mesmo sabendo que a BBC está a emitir uma nova série sobre o fora-da-lei de Sherwood, acreditei – sinceramente! - que sobre Robin Hood estava tudo dito. Enganei-me.
Ridley Scott decidiu apresentar o início da lenda (começa a ser tradição em Hollywood apresentar o início de todas as lendas…) num filme mais realista do que os anteriores no que diz respeito às características da Inglaterra do século XII, ou seja, este Robin é - fruto das circunstâncias - mais “feio, porco e mau”, sem deixar de lado os valores e a (kind of) doçura que todos reconhecemos ao grande herói.
Ao longo dos anos foram “milhões” as variações na possível história de Robin. Ridley Scott apresenta mais uma hipótese - na verdade não muito surpreendente, mas verosímil – da sua história. Robin era um arqueiro em campanha com Ricardo Coração de Leão. Depois da morte do rei em batalha, ele regressa a Inglaterra fugido e o seu caminho cruza-se - em rota de colisão – com D. João, irmão de Ricardo e novo rei, uma personagenzinha eternamente pérfida e fraca. Pelo caminho finge ser Robert of Loxley, com a bênção do pai do verdadeiro Robert of Loxley, enquanto se apaixona por Lady Marion, que é, neste filme, uma mulher forte e segura de si.
É uma obra mais dura, com excelentes actores (além de Russell Crowe e Cate Blanchett, há que destacar Mark Strong e William Hurt, o primeiro no seu habitual registo de mauzão, o segundo irreconhecível) e excelente realização, que perde com a utilização de alguns clichés desnecessários - como a seta que mutila o antagonista no início do filme - e que fazem o espectador assíduo de cinema revirar os olhos em descrédito.
No geral, é óptimo entretenimento. E mantém intacta a imagem da lenda… para o bem e para o mal…

Classificação:
****

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2)

Um bom action movie

Downey Jr. não decepciona e à semelhança do primeiro Iron Man, bem como do mais recente Holmes, mostra que está para ficar. Um actor com popularidade crescente que mais uma vez mostra os seus pregaminhos enquanto front man. A sinopse do filme conta: "O mundo já sabe que o inventor bilionário Tony Stark é o Super Herói Homem de Ferro. Pressionado pelo governo, pela imprensa e pelo público para partilhar a sua tecnologia com os militares, Tony não está disposto a divulgar os segredos por trás da armadura do Homem de Ferro, visto recear que a informação caia nas mãos erradas. Com Pepper Potts e James "Rhodey" Rhodes do seu lado, Tony estabelece novas alianças e confronta novas e poderosas forças..."
Com um elenco francamente mais forte que o primeiro filme da saga onde constam: Mickey Rourke, Scarlet Johansen, Samuel L. Jackson e Gwyneth Paltrow, talvez Scarlet esteja um pouco abaixo do que nos tem habituado, estando ainda para vir um filme em que não seja uma fame fatal...
O filme conta também com efeitos especiais à altura e talvez uma versão 3D lhe desse outra projecção...
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Classificação:
***

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma Noite Atribulada (Date Night)

Muita acção e pouca comédia

Juntar Tina Fey a Steve Carell cria expectativas. Um espectador que compra um bilhete para “Date Night” não entra na sala escura à espera de ver uma mera comédia. Quer ser desafiado. Vai ver a próxima geração da comédia hollywoodesca. E sai defraudado…
Neste filme, a dupla é Claire e Phil Foster, um casal suburbano, preso à rotina e sem chama, cuja vida muda numa das suas “noites de saída”. Num bistro da moda em Nova Iorque, apoderam da reserva de outro casal e nunca mais têm descanso. De acordo com a sinopse da Lusomundo, “lembrando-os do que os tornava tão especiais juntos, Phil e Claire defrontam um par de polícias corruptos, um mafioso de alto gabarito e um taxista louco, à medida que a sua saída se transforma numa noite que nunca irão esquecer.”
A premissa é fantástica, mas o resultado fica aquém das expectativas. Se excluirmos os abdominais de Mark Wahlberg, o Audi da personagem dele a alta velocidade e um taxista apavorado na cena de acção principal, a melhor parte da obra acaba por ser as cenas cortadas que passam com os créditos finais. Aí, a dupla maravilha brilha, de facto, dando azo à imaginação em improvisos menos indicados para a idade a que o filme se destina (M/12).
É uma boa oportunidade desperdiçada numa produção muito ambiciosa, mas que não chega para colmatar as faltas de um guião demasiado banal.

Classificação:
**

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Um Homem Singular (A Single Man)

A busca da perfeição


Tom Ford é estilista - responsável, por exemplo, pela revitalização da Gucci - faz 48 anos este ano, é gay e namora, há mais de duas décadas, com o jornalista Richard Buckley, ex-editor da revista Vogue. Em “Um Homem Singular”, o designer estreia-se na escrita, produção e realização de cinema. Tom Ford fará mais filmes na sua carreira.
Ele fará mais filmes na sua carreira, porque este excede, em absoluto, as expectativas que se dispensam a uma primeira obra. Explora de forma magistral uma história extraordinariamente humana e sombria, contida e adulta, dilacerante. É a narrativa cruel de um homem que perde o amor da sua vida e da sua luta para conseguir continuar uma existência desapaixonada e dolorosa.
“Um Homem Singular” é uma ode à beleza.
Já tinha lido algures que cada frame deste filme é “um postal ilustrado”. E é-o, de facto. Da menina loura e de olhos azuis com o seu vestido ciano rodado ao gigolô esbelto com look de James Dean, cada “postal” é lindíssimo, de uma beleza indelével, como uma marca de autor.
Colin Firth não ganhou o Óscar por este papel… mas até podia ter ganho, já que está perfeito como professor de meia idade no limite da paciência para com a vida. Julianne Moore, Matthew Goode, Ginnifer Goodwin, Nicholas Hoult compõem o restante elenco de deuses gregos.
São poucos os actores que não são seres absolutamente perfeitos fisicamente, sendo, curiosamente, a principal mulher da história, Julienne Moore, a única que foi deliberadamente dotada de algumas imperfeições, supostamente trazidas pelo tempo…
Apesar da Lusomundo ter catalogado o filme como sendo para M/16Q – atenção ao “Q”! -,nada de chocante aparece no ecrã, a menos que a nudez (nunca total) masculina ou um beijo gay o sejam. Já vi cenas mais chocantes em telenovelas, mas suponho que quando se fala de homossexualidade existe sempre excesso de zelo...
O filme só não é absolutamente perfeito porque nos primeiro 30 minutos um espectador assíduo de cinema, com conhecimentos acerca da estrutura dos filmes, consegue perceber como poderá terminar a história... Mas nem toda a audiência tem esses skills.
…Para saborear. Devagarinho.

Classificação:
****

terça-feira, 30 de março de 2010

Um Sonho Possível (The Blind Side)

Óscar?? Desculpem a provocação, mas comparar esta performance da Sandra Bullock com a de Gabourey Sidibe é puro mau gosto de tão distantes que são (a favor de Gabourey). Infelizmente é mesmo caso para dizer que, ao contrário do que disse Monique quando ganhou o Óscar de melhor actriz secundária ("It can be about the performance and not the politics") neste caso foi definitivamente "about the politics" e do estatuto (merecido, é certo) que Sandra já tem. No entanto, penso que este não será o filme da vida dela, mas "Precious" foi o de Gabourey Sidibe (e de toda uma geração que se revê na história e na personagem defendida pela actriz).
Quanto ao filme, a sinopse diz: "Michael Oher, um teenager sem abrigo que sobrevive como pode, é avistado na rua por Leigh Anne Tuohy. Esta, reconhecendo-o como colega de escola da sua filha, insiste para que ele saia do frio, dado que é pleno Inverno e Michael está de calções e t-shirt. Sem hesitar, Leigh convida-o a passar a noite na sua casa. O que começou como um gesto de ternura, tornou-se em algo mais, quando Michael passou a fazer parte da família Tuohy. Vivendo neste novo ambiente, o rapaz encontra desafios completamente diferentes daqueles que tinha. À medida que o tempo foi passando, Michael começou a descobrir o seu potencial (não só como jogador de Futebol Americano) e a sua presença no seio dos Tuohy levou-os a descobrirem um pouco mais sobre eles próprios".
Este, infelizmente também não fica para a história, embora seja uma história verídica e interessante.

Classificação:
***

À Procura do Homem Ideal (My one and only)

Uma viagem aos (nos) 50`s
Uma verdadeira viagem ao mundo dos 50`s, tal como no 1º "Regresso ao Futuro"... A sinopse diz: "Cansada do seu infiel marido, Ann Devereaux (Renée Zellweger) pega nos seus filhos, Robbie e George, e no seu Cadillac de 1953 e parte rumo a um novo destino, à procura do homem ideal para si e a para a sua família. Mas encontrar um novo companheiro não é tão fácil como Ann pensava e, à medida que vão deixando a estrada para trás, George começa a questionar a vida em constante viagem e as aparentemente egoístas motivações da mãe"…
Apesar de contracenarem pouco, Renée Zellweger e Kevin Bacon têm dois papei bem conseguidos. Renée acaba por materializar a revolta feminina. Não se contentando com a sua vida, procura mais para si e para os filhos, custe o que custar... Mesmo assim, é um filme de que me vou esquecer...

Classificação:
***

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amar…É Complicado! (It's Complicated)

A prova de que há vida depois dos 50...

“Jane (Streep), mãe de três filhos já crescidos, proprietária de um restaurante / confeitaria em Santa Barbara, tem – após uma década de divórcio – uma relação amigável com o seu ex-marido, o advogado Jake (Baldwin). Mas quando Jane e Jake se encontram fora da cidade, por ocasião da cerimónia de final de curso do seu filho, as coisas começam a complicar-se. Uma inocente refeição a dois transforma-se no inimaginável – um caso. Com Jake casado com a bem mais jovem Agness (Lake Bell), Jane é agora – quem poderia imaginar?! – a outra mulher. Apanhado no meio do renovado romance está Adam (Martin), um arquitecto contratado para remodelar a cozinha de Jane. Ele próprio em recuperação de um sofrido divórcio, apaixona-se por Jane, mas rapidamente se apercebe que faz parte de um triângulo amoroso. Devem Jane e Jake prosseguir com as suas vidas ou é o amor de facto mais belo numa segunda oportunidade? Certo, certo é que Amar… É Complicado!”
Esta é das raríssimas vezes em que a Lusomundo divulgou um teaser decente sobre um filme… Valeu a pena ler, hem?… ;)
Meryl Streep é, mais uma vez, absolutamente soberba. Houve uma altura em que eu tinha a certeza absoluta de que ela não podia ser assim tão boa actriz. Ela tinha de ter feito alguma coisa má! Eu estava, aliás, segura, de que a moda de dizer bem da Meryl Streep se tinha enraizado de tal forma no planeta que, mesmo aqueles que não gostavam do desempenho dela num filme qualquer, se calavam-se para não serem apedrejados na rua. Mas quanto mais filmes vejo da Meryl Streep, mais certeza tenho de que ela só pode ser um extra-terrestre, vindo à terra para provar que os humanos são insignificantes e vergonhosos. Não é possível tanto talento existir num comum mortal. Não é plausível que alguém seja tão perfeito no que faz. Façam-se teses de Doutoramento sobre esta mulher, por favor! Investigue-se! Estude-se! Tem de existir um motivo para ela ser A melhor! Sempre! E linda! Sempre!
…Portanto, sobre o desempenho de Meryl estamos conversados…
O resto complica-se. Steve Martin, habituado a ter as gags todas para ele, parece aqui desconfortável por ser o que tem menos piadas no guião. E Alec Baldwin, apesar de ter um desempenho hilariante, não conseguiu resistir à tentação de transformar a personagem numa caricatura… O melhor, a par da diva, é o jovem John Krasinski! Surpreendente.
Pelo tema do filme, pelos sentimentos explorados nas personagens e pelos excelentes gags proporcionados aos espectadores, Nancy Meyers merecia quatro estrelas em cinco. Mas pela quantidade de clichés na construção das personagens, pela absoluta falta de surpresa no desenrolar da acção e pela superficialidade da maioria das personagens secundárias (pecado, aliás, muito comum nas designadas “comédias românticas”!) merecia umas vergonhosas duas estrelas. É um filme que não fica – infelizmente – para a história.

Classificação:
***

segunda-feira, 8 de março de 2010

ÓSCARES EM DIRECTO

Os vencedores da 82ª cerimónia Anual da Academia de Óscares de Hollywood


Actor in a Supporting Role:
Christoph Waltz in “Inglourious Basterds”

Animated Feature Film:
“Up” Pete Docter

Music (Original Song):
“The Weary Kind (Theme from Crazy Heart)” from “Crazy Heart” Music and Lyric by Ryan Bingham and T Bone Burnett

Writing (Original Screenplay):
“The Hurt Locker” Written by Mark Boal

Short Film (Animated):
“Logorama” Nicolas Schmerkin

Documentary (Short Subject):
“Music by Prudence” Roger Ross Williams and Elinor Burkett

Short Film (Live Action):
“The New Tenants” Joachim Back and Tivi Magnusson

Makeup:
“Star Trek” Barney Burman, Mindy Hall and Joel Harlow

Writing (Adapted Screenplay):
“Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire” Screenplay by Geoffrey Fletcher

Actress in a Supporting Role:
Mo’Nique in “Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire”

Art Direction:
“Avatar” Art Direction: Rick Carter and Robert Stromberg; Set Decoration: Kim Sinclair

Costume Design:
“The Young Victoria” Sandy Powell

Sound Editing:
“The Hurt Locker” Paul N.J. Ottosson

Sound Mixing:
“The Hurt Locker” Paul N.J. Ottosson and Ray Beckett

Cinematography:
“Avatar” Mauro Fiore

Music (Original Score):
“Up” Michael Giacchino

Visual Effects:
“Avatar” Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham and Andrew R. Jones

Documentary (Feature):
“The Cove” Louie Psihoyos and Fisher Stevens

Film Editing:
“The Hurt Locker” Bob Murawski and Chris Innis

Foreign Language Film:
“El Secreto de Sus Ojos” Argentina

Actor in a Leading Role:
Jeff Bridges in “Crazy Heart”

Actress in a Leading Role:
Sandra Bullock in “The Blind Side”

Directing:
“The Hurt Locker” Kathryn Bigelow

Best Picture:
“The Hurt Locker” Kathryn Bigelow, Mark Boal, Nicolas Chartier and Greg Shapiro

domingo, 7 de março de 2010

Shuttler Island (Shutter Island)

Suspence até ao último frame

Na verdade já tinhamos saudades de filmes em que tudo se revela nos últimos minutos, e todo o elo de ligação é esplanado apenas no desfecho do mesmo. É uma formula utilizada em premeados filmes como Os Condenados de Shawsank ou o Sexto sentido. A Sinopse conta "A acção decorre em 1954, quando dois agentes do departamento de justiça dos EUA investigam o desaparecimento de uma paciente de um hospital para loucos homicidas numa ilha de Massachusetts. Só que no próprio local percebem que há na ilha um outro prisioneiro, mas desconhecido, e que eles estão a ser continuamente enganados por toda a gente, situação agravada por um furacão que os deixa presos no local".
DiCaprio fez um papel notável, no entanto com a concorrência foi feroz deste ano, não houve lugar a nomeação para os Óscares...
Martin Scorcese está assim no seu melhor, criando um filme intrigante com as cenas de suspense maximizadas até ao limite.

Nota: na sessão a que assistimos chegámos a ouvir um grito de pânico fruto um momento de suspense levado até ao seu extremo... (não sendo este um filme de terror é necessário algum estômago para aguentar tanta criança morta...).

Classicação:
****

terça-feira, 2 de março de 2010

Dia dos namorados (Valentine's Day)

A Richard Curtis movie wannabe

“Dia dos Namorados” é um daqueles filmes lamechas para quem procura ver o Amor no ecrã, em todas as suas formas exacerbadas. É a versão americana - e um pouquinho menos bem conseguida - do fantástico filme de Richard Curtis “O Amor Acontece”.
Com um elenco de luxo - Taylor Lautner, Bradley Cooper, Anne Hathaway, Taylor Swift, Jessica Biel, Jessica Alba, Jamie Foxx, Ashton Kutcher, Julia Roberts, Jennifer Garner, Emma Roberts, Patrick Dempsey e Queen Latifah – e alguns destes actores a guardarem estatuetas douradas na sua sala de estar, o filme peca essencialmente por não ser novidade. De resto, é uma obra bem produzida, bem conseguida e com performances que em nada deixam a desejar - até Taylor Swift (sim!, a pop/country star que ganhou uns prémios na última edição dos Grammys) tem um desempenho irrepreensível no papel de loura burra!.
Claro que este tipo de filme cai sempre na tentação de deixar “umas lições” (como se o amor e amizade tivessem regras!), mas também são daquelas que aceitamos por serem uma espécie de senso comum. De resto, humedece os olhos ao espectador mais sensível e, na melhor das hipóteses, dá uma ou outra resposta ao teenager que começou agora a amar.
Uma das melhores partes é, talvez, o cartão postal de Los Angeles. De mansinho, o realizador - Garry Marshall (de Pretty Woman, Runaway Bride, The Princess Diaries) – coloca no ecrã uma série de lugares emblemáticos da cidade dos anjos… A outra é, sem dúvida, a beleza geral do elenco. Beleza. Física, sim! Não é à toa que dizem que Hollywood tem as pessoas mais belas do mundo. Neste lote estão algumas. E, queira-se ou não, isso também faz uma parte da audiência entrar numa sala de cinema…A sinopse que a Lusomundo divulgou diz apenas “Em Dia dos Namorados prepare-se para observar um elenco repleto de estrelas e as suas histórias amorosas passadas em Los Angeles, no dia de São Valentim” (será preguiça?)… por isso, quem compra bilhete para ver esta obra só pode ir mesmo à procura de romance. E é isso que vai ter…

Classificação:
**