terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Burlesque (Burlesque)

There's no business like show business

Com um início e uma premissa iguais ao de “Coyote Bar”, um desenvolvimento aborrecido e previsível - que até inclui (cliché dos clichés!) um empreendimento imobiliário que ameaça nascer no exacto local do amado teatro burlesco - e um final, ainda mais aborrecido e previsível, onde todos vivem felizes para sempre… a uma coisa que faz valer a pena ir ao cinema ver este filme é… o espectáculo!
Belas mulheres semi-despidas, em poses e coreografias sensuais; belos homens no meio das belas mulheres; Cher e Aguilera a cantar (Aguilera também dança e é uma das belas mulheres semi-despidas)… Sem dúvida que há espectáculo!
“Burlesque” não vai fazer história no cinema, mas “funda” uma nova modalidade desportiva: o Burlesco. Procurem as aulas no vosso ginásio… Pode valer a pena…
Entretanto… aqui fica a sinopse da Lusomundo: “Ali é uma rapariga de uma cidade pequena com uma voz magnífica, que escapa às dificuldades e a um futuro incerto para seguir os seus sonhos até Los Angeles. Após ter descoberto o "The Burlesque Lounge", um teatro majestoso mas em decadência, onde se representa uma revista musical inspirada, Ali arranja um emprego a servir cocktails, que lhe é concedido por Tess, a proprietária do clube e estrela principal. O chocante guarda-roupa do Burlesco e a coreografia arrojada arrebatam a jovem ingénua, que sonha representar nesse teatro um dia. Ali não tarda a fazer amizade com uma dançarina famosa, arranja uma inimiga numa artista ciumenta e problemática e conquista o afecto de Jack, um bartender e colega músico. Com a ajuda de um inteligente director de cena e um apresentador de números transsexuais, Ali passa do bar para o palco. A sua voz espectacular recupera a antiga glória do "The Burlesque Lounge", mas não antes de um empresário carismático ter entrado em cena com uma proposta tentadora...”


Classificação:
***

A Última Estação (The Last Station)

Um hino ao amor

“Após quase cinquenta anos de casamento, Sofia, a dedicada esposa, amante, musa e secretária de Leo Tolstói – ela copiou o manuscrito de Guerra e Paz seis vezes à mão - vê subitamente o seu mundo virado do avesso. Ao adoptar uma nova religião, o grande escritor russo renuncia aos seus títulos de nobreza, às suas propriedades e inclusivamente à sua família, trocando tudo pela pobreza, vegetarianismo e mesmo o celibato. Após ela lhe ter dado treze filhos. Quando Sofia descobre que o fiel discípulo de Tolstói, Chertkov - que ela despreza - pode ter persuadido secretamente o marido a assinar um novo testamento, onde deixa os direitos das suas novelas icónicas ao povo russo e não à sua própria família, é consumida por uma raiva justificada. Empregando toda a sua astúcia, todos os truques de sedução do seu considerável arsenal, Sofia luta ferozmente por aquilo que considera ser seu por direito. No entanto, quanto mais radicais são as suas acções, mais facilmente Chertkov consegue persuadir Tolstói do mal que ela fará à sua gloriosa herança.”
A complicada sinopse de “A Última Estação”, que a Lusomundo publicita, faz acreditar que o filme se dedica explorar a complexa personalidade e as ideias políticas do génio da literatura russa, Tolstói, embora do ponto de vista da amantíssima esposa. Quando, na verdade, pouco ou nada se saberá acerca do que se passaria no cérebro da complexa personalidade. O filme explora sim, embora de forma superficial, a relação de profundo amor que o une a Sofia. E só isso interessa.
A personagem mais redonda é o secretário Valentin Bulgakov (James McAvoy), que luta entre manter-se fiel aos ensinamentos do mestre ou… fazer como ele faz. As outras personagens – que deviam ser principais – morrem na praia num filme que promete muito e dá pouco. Pena que, com um elenco com Helen Mirren, Chistopher Plummer e Paul Giamatti, o melhor que se possa dizer sobre o filme é que é um ternurento hino ao amor…

Classificação:
*

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Americano (The American)

Filme europeu com estrela americana

Segundo Karina Mitchell, do New York Times, “you're either going to love this movie, or leave feeling incredibly frustrated, depending on how much patience you have and how much you love art films.” Nem mais.
O novo filme de Clooney é demasiado europeu para ser um filme de Clooney e Clooney é demasiado americano para fazer um filme europeu... A mistura origina uma obra estranha e um pouco enfadonha.
Baseado no romance "A Very Private Gentleman" de Martin Booth, o filme conta a história de um assassino profissional que se refugia numa pequena cidade italiana, à espera que o convoquem para a sua última missão. Com vontade de viver uma vida “normal”, ele apaixona-se e vai cometer alguns descuidos imperdoáveis até a missão lhe ser revelada.
A história é banal e previsível. O ritmo é leeeeeeeento. E a única coisa que vale de facto a pena são os cenários (região do Abruzzo, província de Áquila) e (para quem aprecia) a beleza das mulheres:
Violante Placido, Thekla Reuten e Irina Björklund. Paolo Bonacelli, Johan Leysen e Filippo Timi compõem, com elas, o belíssimo elenco internacional dirigido pelo popular fotógrafo de música Anton Corbijn. Até agora, a maioria das suas produções (em fotografia e vídeo) e as suas experiências em filme (cinema e vídeo) tinham como protagonistas bandas internacionais (Metallica, U2, Depeche Mode, Bryan Adams, etc.). Ainda assim, esta parece uma experiência válida e prometedora…

Classificação:
**

A Tempo E Horas (Due Date)

A fun ride

"Robert Downey Jr. é Peter Highman, um feliz (mas ansioso) executivo de Los Angeles, que irá ser pai pela primeira vez dentro de alguns dias. No entanto, nem tudo corre bem: Peter não consegue apanhar o voo que parte de Atlanta, pelo que se vê obrigado a fazer a viagem de regresso a casa com um aspirante a actor, Ethan Tremblay. Contudo, aquilo que seria uma simples viagem de carro, torna-se numa sucessão de surpreendentes acontecimentos..." Esta é a sinopse daquele que era suposto ser a melhor comédia desde “A Ressaca”. Infelizmente, não anda nem perto dessa anterior obra do (mesmo) realizador Todd Phillips.
A história não é nova – a premissa é igual à do filme "Antes Só Que Mal Acompanhado"/"
Planes, Trains and Automobiles", de John Hughes (1987) -, o tipo de humor cáustico é importado de “A Ressaca” (embora com infinitamente menos eficácia) e até Zach Galifianakis vem dessa saudosa produção anterior. Robert Downey Jr., embora convincente na pele de executivo stressado, fica sem a química habitual nesta produção irreverente, mas pouco empolgante e fantasiosa demais.
Vale a pena, no entanto, destacar os papéis menores, onde se encontram, por exemplo, Jamie Foxx e Juliette Lewis.
Se a expectativa é rir um pouco, vale a pena ir ver. Se é ver um filme digno de Downey Jr.… passem este.


Classificação:
**

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Jogo Limpo (Fair Game)

Retrato do mundo em que vivemos

Mais um filme desencantado, que dá conta da “revolução” que, silenciosa, ocorre nas vidas de todos nós. Já não acreditamos em muito e o que nos vais sendo revelado à custa da “era da informação não filtrada”, apoiada nas novas tecnologias, faz-nos acreditar em menos ainda. Entre câmaras em directo da guerra, Tweets e Wikileaks, esta é mais uma obra política, destinada ao público cansado de ser enganado pela elite política e ávido de saber “tudo”… na esperança de que, sabendo tudo, possa tomar atitudes...
Valerie Plame é uma agente da CIA que viu a sua identidade secreta revelada por Richard Armitage, do US State Department, ao jornalista Robert Novak, do Washington Post - um facto considerado crime nos EUA. A revelação ocorreu logo depois de o ex-diplomata Joseph Wilson, seu marido, criticar os Estados Unidos por manipular informações para justificar a invasão do Iraque pela presença de armas de destruição em massa no país, assegurando, dessa forma, e existência de uma guerra imoral e infundada.
O filme é baseado numa história verídica - facto, aliás, comprovado pelas imagens que encerram a obra e que mostram a Valerie Plame real a falar pela primeira vez sobre a sua história perante o
U.S. House Committee on Government Reform.
Naomi Watts assume o papel da agente de forma convincente e humilde e Sean Penn presenteia os espectadores mais uma interpretação deliciosa na pele do seu revoltado marido, Joseph Wilson. O filme tem duas “partes” – a primeira mostra-nos o dia-a-dia de uma competente agente da CIA, as suas responsabilidades e os seus limites; a segunda leva-nos aos meandros do escândalo público, que, apesar de ser um pouco menos interessante no que diz respeito ao espectáculo, nos leva à essência da personagem de Naomi.
É um filme para os que querem saber mais acerca dos bastidores da guerra do Iraque, sobre como funciona o mundo da “intelligence” e o que esteve na base da criação do “mito” sobre as armas de destruição maciça (in)existente no Iraque. No fundo, é um filme sobre imoralidades políticas, num mundo em que vale tudo...

Classificação:
****

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Red – Perigosos (Red)

Cinema kitch

Bruce Willis, Morgan Freeman, Richard Dreyfuss, John Malkovich e Helen Mirren no mesmo filme? Brutal. Seja qual for a história, seja qual for o realizado, seja qual for o cenário… Vale a pena ver de certeza!
“Red” não é um grande filme, mas recomenda-se. Além do fabuloso elenco - um rol de actores vintage do melhor - o filme é uma gargalhada pecaminosa, uma espécie de prazer proibido. Parece uma caricatura, um cartoon de um filme de acção, que recupera todos os clichés que tornaram Willis famoso e que até ele já deixou de lado. Ao mesmo tempo que abanamos a cabeça, incrédulos com a audácia de nos prometerem um manjar e nos apresentarem, em vez disso, comida aquecida no micro-ondas, reviramos os olhinhos para o alto do crânio e rimos com gosto de tanta palermice.

Em resumo? Este filme é um bombom... Mas só para apreciadores!
Aqui fica a sinopse da Lusomundo: “Frank Moses é um agente secreto veterano e reformado que vê a sua actual pacífica vida ser subitamente interrompida por um assassino profissional que o tenta matar. No entanto, Frank consegue neutralizar a ameaça mas rapidamente se apercebe que a sua localização está comprometida e que a vida dos seus entes queridos está em perigo.”
Vejam a coisa como se fosse um livro da Harlequin adaptado ao cinema (mas sem sexo!)… É isso que o realizador parece pretender.

Já havia literatura de cordel. Robert Schwentke parece ter inventado o cinema de cordel

Classificação:
****

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Rede Social (Social Network)

O café do Séc. XXI

Este é um filme que retrata o início da nova realidade de 500 milhões de pessoas. Este é um mundo de potenciais ideias milionárias no mundo da informática e o mais interessante é que muitas delas aparecem em mentes jovens que por vezes não têm ideia do potencial valor que a sua criatividade poderá ter no mercado das novas tecnologias.
A sinopse conta: "Certa noite no ano de 2003, o génio da programação e aluno de Harvard, Mark Zuckerberg, senta-se ao computador e começa a trabalhar numa nova ideia. Aquilo que inicialmente era apenas uma mistura de programação e blogging, cedo se tornou numa rede social à escala mundial, que revolucionou a forma de comunicar. Seis anos e 500 milhões de amigos depois, Mark Zuckerberg é o mais novo bilionário da História... mas para este empresário, o sucesso vai trazer-lhe também problemas pessoais e legais. "
Este filme, cujo protagonista não tem facebook, conta ainda com a participação especial de Justin Timberlake, que esteve à altura do desafio. As interpretações não são nada do outro mundo, no entanto, estiveram à altura do que era pedido e guiaram-nos de forma muito simples numa estória que o mundo quer conhecer.

Classificação:
****

Inside Job - A Verdade da Crise (Inside Job)

E nada mudou...

É verdadeiramente assustadora a realidade expressa neste documentário... Apesar de uma sonoplastia muito duvidosa que coloca entrevistados frente a frente com frases graves que não foram ditas na entrevista, mas sim, que foram colocadas à posteriori com o intuito de os ridicularizar, os visados não têm desculpa pelos actos perpretados no passado. No entanto, e o mais assustador de tudo, é que estas são exactamente as mesmas pessoas em quem Barack Obama deposita a sua confiança para (des)governar a grande potência mundial.
A sinopse diz: "Através de uma pesquisa extensiva e entrevistas com economistas, políticos e jornalistas, "Inside Job - A Verdade da Crise", mostra-nos as relações corruptas existentes entre as várias partes da sociedade. Narrado pelo actor Matt Damon e realizado por Charles Fergunson, este é o primeiro filme que expõe a verdade acerca da crise económica de 2008. A catástrofe, que custou mais de $20 triliões, fez com que milhões de pessoas tenham perdido as suas casas e empregos."
Assim, Charles Ferguson mostra o que o jornalismo de investigação pode ter de melhor e pior neste documentário. Desde o apontar o dedo a quem prevarica e se mantém impune, a uma abordagem pouco ética das entrevistas ou melhor, dizendo o essencial de forma cobarde, através de uma pós produção audio que muito me decepcionou...

Classificação:
**

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street 2: Money Never Sleeps)

O retrato de quem nos trama...

Devo em primeiro lugar realçar que este filme é uma agradável surpresa, e que não é necessário ser-se um guru da economia para perceber que a ficção traduzida neste filme, reflecte a realidade da crise grave que nos afecta a todos, fruto da ganância e lucro descontrolado.
A sinopse da Lusomundo diz:"Quando Gordon Gekko (Douglas) sai da prisão, depara-se com o mundo que outrora dominava. Procurando restabelecer relação com a filha (Mulligan), torna-se sócio do seu noivo Jacob (LaBeouf), que o começa a ter em consideração como um pai. Mas Jacob cedo descobre que Gekko, ainda um génio da manipulação e dissimulação, está atrás de algo muito diferente da redenção."
Assim, Oliver Stone mostra-nos o mundo do crime de "colarinho branco" tantas vezes impune durante anos a fio. O ar esgazedo de Douglas mostra bem toda a força que o dinheiro representa nas suas acções menos lícitas e nem a família o afasta dos seus objectivos e instintos mais primários, ou será que não?...

Classifição:
****

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Oh Não! Outra vez Tu? (You Again)

Os (bons?) velhos tempos...

Tem a sinopse mais curta de sempre: “Quando uma jovem percebe que seu irmão está prestes a casar com a rapariga que a perseguia no colégio, faz de tudo para a expor.” E o problema é que diz mesmo tudo!
A parte mais interessante do filme é ver dois “pesos pesados” do cinema - Jamie Lee Curtis e Sigourney Weaver – mais “crescidos” e a curtir cada cena “destranbelhada”. Encarnam respectivamente a mãe do noivo e a tia (e única familiar) da noiva e têm um passado em comum: também elas se desentenderam no liceu. Além destas duas belíssimas actrizes está Betty White no elenco, o que é, desde logo, uma garantia de uma boa risada. E há também a fantástica Kristin Chenoweth (http://www.youtube.com/watch?v=U5liuHR6wug) num papel necessariamente abaixo das suas capacidades.
É um filme “esquecível”, mas que serve para recordar o bullying do liceu (sim, cá também o há… mas parece é mais psicológico do que físico, ao contrário do que acontece nos EUA)…

Classificação:
**

Hachiko - Amigo para Sempre (Hachiko: A Dog's Story)

Para os amantes dos animais

“Hachiko é um cão especial, com a alcunha de "Hachi", e acompanha o seu dono Parker, um professor universitário, todos os dias, até a estação de comboios para o ver partir, retornando à estação, todas as tardes para cumprimentá-lo ao final de cada dia. A natureza emocionalmente complexa do que sucede quando esta sua rotina descontraída é interrompida, faz da história de Hachi, um conto intemporal. A fiel devoção de um cão ao seu dono mostra o grande poder do amor e revela que o mais simples dos actos pode tornar-se no mais grandioso gesto de todos”, diz a sinopse da Lusomundo.
Richard Gere aceitou fazer um filme que esquece totalmente o ritmo e os gimmicks próprios de Hollywood para contar a história simples e comovente de um cão e da sua dedicação ao seu dono. A obra é baseada num filme original japonês, que contava a história verídica de Hachiko ("cão fiel Hachikō" em tradução livre do japonês) de um cão da raça Akita, nascido em 10 de Novembro de 1923 na cidade de Odate, no município de Atika, que ainda é lembrado por sua lealdade ao seu dono, uma dedicação que perdurou mesmo após a morte dele. Obviamente, na versão americana, Hachiko atravessa um oceano para se encontrar com Gere, encarnado na pele de Parker.
O filme não tem ritmo, não tem plot points, não tem a estrutura a que o cinema americano nos habituou… mas, para quem tem a paciência de o ver chegar ao fim, é enternecedor e comovente. Indicado para todos os amantes dos animais.

Classificação:
***

domingo, 24 de outubro de 2010

Comer Orar Amar (Eat Pray Love)

Espiritualidade à Americana

De acordo com a sinopse da Lusomundo, Liz Gilbert (Julia Roberts) tinha tudo o que uma mulher moderna deseja – um marido, uma casa, uma carreira bem sucedida. Mas ainda sim, como muitas outras pessoas, sente-se perdida, confusa e em busca do que realmente deseja na vida. Recentemente divorciada e num momento decisivo, Gilbert saí da sua zona de conforto, arriscando tudo para mudar de vida, embarcando numa jornada à volta do mundo que se transforma numa procura por auto-conhecimento. Nas suas viagens descobre o verdadeiro prazer da gastronomia em Itália; o poder da oração na Índia, e, finalmente e inesperadamente, a paz interior e equilíbrio de um verdadeiro amor em Bali. Baseado no best-seller autobiográfico de Elizabeth Gilbert, Comer, Rezar, Amar prova que existe mais de uma maneira de levar a vida e de viajar pelo mundo”.
Ao que parece, a América recebeu o livro e o filme como a nova fórmula para a busca da felicidade. Liz Gilbert é, para o Americanos, uma mulher corajosa e espiritual, com direito a entrevistas em directo na Oprah e um filme protagonizado por Julia Roberts - que, imagine-se!, comeu mesmo pasta! Não mastigou e deitou fora os hidratos de carbono, como fazem as grandes actrizes de Hollywood quando são obrigadas a envenenar-se desta forma vil em prol de um (bom?) papel. Seria de esperar que do lado de cá do Oceano Atlântico a percepção fosse a mesma?
O livro foi, igualmente, um best seller na Europa e (diz-se!) até fez aumentar o número de turistas em Itália, na Índia e na Indonésia – afinal, o que vem da América com selo de “fantástico” raramente é ignorado. O filme, por arrasto, também. Mas, talvez pela diferença geográfica e cultural ou apenas pela falta de uma certa infantilidade humanística que existe na Terra do Tio Sam, deste lado “do lago”, a Liz Gilbert do filme parece uma mulher limitada e egocêntrica que anda à procura da espiritualidade em todos os locais errados… E, ao que parece, há na obra uma enorme confusão entre “felicidade” e “paixão”, porque, na realidade, o que Liz encontra é um novo amor. Pode argumentar-se que o encontra (e é “grande”) porque está finalmente preparada para isso. Sim, talvez seja verdade. Vamos acreditar que é mesmo essa a conclusão do filme ou ele deixará de fazer qualquer sentido…
Pelas questões pertinentes que levanta e os pormenores que traz à luz sobre as diferenças entre homens e mulheres e o que se passa, em geral, no íntimo do espírito humano, vale a pena ir ver e até estar disponível para verter uma ou outra lágrima mais persistente. Mas, por favor, não se dirijam ao escuro da sala a pensar que vão ver uma obra que vos vai mudar a vida, porque não vai. Será uma sorte se, duas semanas depois, se lembrarem de algo mais do que a Júlia Roberts toda babada de pasta…

Clasificação:
**

Embargo

Humanidade nas quatro rodas

“Nuno é um homem que trabalha numa roulotte de bifanas, mas que inventou uma máquina que promete revolucionar a indústria do calçado - um digitalizador de pés. No meio de um embargo petrolífero e deparando-se com uma estranha dificuldade, Nuno tenta obstinadamente vender a máquina, obcecado por um sucesso que o fará descurar algumas das coisas essenciais da sua vida. Quando Nuno fica estranhamente enclausurado no seu próprio carro e perde uma oportunidade única de finalmente produzir o seu invento, vê subitamente a sua vida embargada…”, diz a sinopse.
Saramago escreveu esta belíssima metáfora (sobre a humanidade que, se pudesse, ia de carro à casa de banho), António Ferreira (Esquece Tudo O Que Te Disse, 2002) filmou-a respeitando a luz sombria do autor da história, Coimbra serviu de cenário (embora discretamente e sem qualquer referência directa) e Cláudia Carvalho (lindíssima e talentosa) e Eloy Monteiro (muito convincente no papel tresloucado de Nuno) dão vida aos papéis principais com competência e seriedade. Fernando Taborda e José Raposo são irrepreensíveis. E o jovem Miguel Lança poderá ser um óptimo actor quando deixar de acusar o peso da responsabilidade de estar a contracenar com figuras consagradas.
O principal desafio do filme para o espectador é tentar adivinhar em que época é que a história ocorre, já que os carros são da década de 80, mas há telemóveis enormes (anos 90) e euros (anos 2000). De resto, é uma história de Saramago. Ou seja: óptima metáfora, história tresloucada e porca e nula conclusão.

Classificação:
***

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Karate Kid (The Karate Kid)

A tradição está de volta

Uma excelente surpresa este novo Karate Kid. Ok, já conhecemos a fórmula e tudo o que se vai passar durante o filme se estivémos minimamente atentos aos anteriores. No entanto, é a grande interpretação de Jaden Smith e Jackie Chan que tornaram este filme numa merecida homenagem a este género cinematográfico.
A sinopse é igual a todos os outros Karate Kid, não fossem os fãs ficar decepcionados: Dre Parker (Jaden Smith), é um garoto de 12 anos de Detroit, cuja carreira da mãe acaba por levar para a China. Dre apaixona-se pela sua colega de turma Mei Yin, mas as diferenças culturais tornam a amizade impossível. Pior ainda, os sentimentos de Dre fazem com que colega de turma e prodígio do kung fu Cheng se torne seu inimigo. Sem amigos numa nova cidade, Dre não tem a quem recorrer excepto o porteiro do seu prédio Mr. Han (Jackie Chan), que é secretamente um mestre do kung fu. À medida que Han ensina a Dre que o kung fu é muito mais que socos e habilidade, mas sim maturidade e calma, Dre percebe que encarar os coelgas de turma será a aventura de uma vida.
Interessante este "schift" de Karate para Kung fu nunca explidado no guião, mas o que é que interessa? Os golpes são igualmente surpreendentes e a filosofia por trás destas artes marcias é mais uma vez um ponto importante na acção. Se pudesse dar pontuação apenas aos interpretes levariam 5, no entanto e porque este guião não apresenta nada de supreendentemente novo leva:

Classificação:
****

Os Mercenários (The expendables)

A mesma fórlmula na versão VIP

Após breves instantes percebemos que já vimos este filme: no Rambo, em guerra aberta com os russos ou no Comando, em que não escapa o piriquito. No entanto já não leva porrada em toda a primeira parte do filme, uma vez que deixa uma lembrança considerável no adversário antes de passar ao ataque. A sinopse é clara e não deixa dúvidas que o guião será mais um entre um milhão: Os Mercenários é um filme de acção sobre um grupo de mercenários contratado para se infiltrar num país sul-americano e tirar do poder um ditador fora de controle. Logo no início da missão, estes começam a perceber que as coisas não serão tão fáceis quanto imaginavam, e vêem-se no meio de uma intrincada rede de mentiras e traições. Uma vida inocente é colocada em risco e os mercenários têm de encarar desafios em escalada crescente de dureza, os quais podem inclusive destruir a unidade da própria equipa.
De destacar a inteligência e pertinência de alguns diálogos (como por exemplo a cena em que entra Schwarzeneger). No entanto, vemos os grandes actores de acção na sua "confort zone" dando ao público o que ele compra... porrada... tiros... e muita porrada...
Assim, pelo défice de originalidade mas porque os actores estiveram ao nível do guião de Stallone, leva três morteiros.

Classificação:
***

domingo, 19 de setembro de 2010

Salt (Salt)

O melhor filme de acção dos últimos tempos

Este filme é uma autêntica surpresa. Quem for ao cinema à espera de um banal filme de acção americano - mesmo que assuma que Angelina Jolie sabe o que escolhe - não estará seguramente preparado para esta história.
“Como uma agente da CIA, Evelyn Salt (Angelina Jolie) fez um juramento sobre o dever, a honra e o país. Mas a sua lealdade será testada quando um desertor a acusa de ser uma espiã russa. Até a situação ser resolvida, Salt decide fugir, usando todas as suas habilidades e anos de experiência como agente secreto para escapar à captura. Ela tenta provar sua inocência, mas os seus esforços começam a pôr em causa as suas motivações. Enquanto a captura continua eminente, a verdade por trás da sua identidade contínua em questão: Quem é Salt?”
Acreditando na sinopse da Lusomundo, Salt é uma daquelas películas sobre o amor à pátria, já vistas mil vezes no cinema americano, com espionagem e contra-espionagem e muitos tiros e fugas. Não deixa de o ser. Mas, desta vez, talvez por este ser um papel originalmente escrito para Tom Cruise e depois adaptado a uma mulher ou apenas por os guionistas serem simplesmente extraordinários, o espectador “apanha” com uma narrativa densa e bem pensada, com muitos valores básicos e histórias humanas à mistura. Ela parte de um denominador comum mil vezes explorado e dá-lhe um tom absolutamente humano e pessoal. E isso torna esta obra diferente.
É tudo bom. Angelina está no registo que melhor aproveita todas as suas capacidades (físicas e interpretativas), a história é sempre surpreendente - mesmo quando os resultados são os que o espectador suspeita, eles vêm with a twist – e as cenas de acção são irrepreensivelmente coreografadas, sempre no limite daquilo que o espectador aceita que seja, vá, “possível”.
O finalzinho deixa uma ponta solta (o Presidente Americano não terá a resposta que todos procuram?), mas talvez esse “erro” de lógica seja o mote necessário para o desenvolvimento da sequela. Venha ela!

Classificação:
*****

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Kiss & Kill - Beijos & Balas

Kutcher a tentar provar que pode fazer filmes de acção

Misturam-se dois actores bonitos, um guião pouco ambicioso, uma história de amor pouco verosímil, o cenário magnífico do Sul de França e alguns momentos de romance e acção e encontra-se a receita para o filme adequado a uma tarde preguiçosa de Verão. Não obriga a pensar. Arranca um sorriso por ser tão docemente falso. Mas cumpre o objectivo de fazer passar cerca de duas horitas a ver coisas bonitas e a não pensar em problemas.
Ashton Kutcher não é só o actor principal, é também um dos produtores desta … hum… "obra". E talvez o objectivo dele seja apenas provar aos estúdios de Hollywood que também sabe fazer filmes de acção, já que este guião explora – embora mal! – o mundo dos agentes secretos... Katherine Heigl está a fazer a difícil transição entre a televisão e o cinema. E está, então, a seguir a fórmula escrita nos manuais hollywoodescos para isso, começando pelas comédias românticas pouco ambiciosas. Se tiverem a coragem de ser persistentes, os dois serão grandes actores quando o público que os ama agora estiver um pouco mais crescido e os chefões de Hollywood já tiverem a confiança necessária para lhes dar os papéis que realmente merecem.
Para já, é isto que temos: “Um agente secreto apaixona-se loucamente, e abandona a sua profissão quando decide casar-se com a mulher dos seus sonhos. A vida de sonho do casal é perturbada quando ele descobre que está a ser vigiado há bastante tempo e qualquer um dos seus vizinhos ou amigos pode ser o assassino contratado para o matar.”

Classificação:
**

domingo, 22 de agosto de 2010

A Origem (Inception)

A heist movie with a twist...

“É um filme fantástico!”“Esse é muito bom.” “Vai ver esse que vais gostar.” Foi a ouvir frases destas que eu decidi comprar bilhete para ir ver o último filme de DiCaprio. Não é que precisasse de incentivo – ele faz bons filmes e, desta vez, unia-se a Christopher Nolan, responsável pelo fantástico “Cavaleiro das Trevas” –, mas há muito tempo que não ouvia tal unanimidade entra o público leigo e a crítica.
Quando entrei na sala escura, esperava ser desafiada intelectualmente e ver uma obra nada menos do que brilhante. É possível que o seja, mas mistura alguns dos estilos que eu menos aprecio: a ficção científica com o filme de assalto. É verdade que faz a fusão de forma brilhante, desafiante e que, no meu ponto de vista, acaba por melhorar os dois géneros, mas não vim deslumbrada, porque achei que a premissa, a exposição das intenções, é muito mais interessante do que a posterior simplicidade do enredo. Mas pode ser apenas uma questão de gosto…
Ora, Leo DiCaprio (o tal que começou a ser nomeado para o Óscar de melhor actor aos 20 anos, mas nunca ganhou nenhum por ser bonito demais) é Dom Cobb, um talentoso ladrão, “o melhor na arte da extracção: ele rouba segredos e ideias às pessoas directamente das profundezas das suas mentes, durante os sonhos – estado em que a nossa mente está mais vulnerável. A rara habilidade de Cobb fez dele uma das pessoas mais influentes neste novo mundo de espionagem empresarial, mas também fez dele um fugitivo internacional e custou-lhe tudo o que já amara. Mas agora foi-lhe oferecida uma oportunidade para se redimir. Um último trabalho pode devolver-lhe a sua antiga vida. Em vez do assalto perfeito, Cobb e a sua equipa de especialistas têm exactamente de fazer o inverso: instalar uma ideia na mente de alguém”, diz a sinopse da Lusomundo.
A premissa é óptima, mas o enredo é banal. Esperava, sinceramente, mais. Querem uma prova de banalidade? A personagem principal é um ser torturado cujo sucesso da missão que tem em mãos determinará também o sucesso da resolução do seu conflito interior… No fundo, é um heist movie with a twist - em vez de roubarem algo, vão colocar algo na mente de alguém, mas nem por isso deixa de haver metáforas sonhadas de fortes inexpugnáveis, prisões e perseguições, tiros e fugas em countdown. A única personagem redonda é Cobb, todas as outras são bonecos sem passado nem futuro. E a história de Cobb torna-se repetitiva e até previsível. O ritmo, no entanto, é excelente, bem como a exploração do banal enredo, que se torna interessante por ocorrer na mente humana e no mundo dos sonhos, o que dá azo a grandes desafios de lógica e de gravidade, o que, por sua vez, permite / exige extraordinários efeitos especiais. E eles existem.
Não há nada a apontar à produção, nem às interpretações dos actores, embora se olhe com estranheza para o facto de terem escolhido a jovem (jovem, jovem!) Ellen Page como a arquitecta de sonhos, o génio do filme. Talvez a personagem exigisse alguém mais “experiente” para ser credível...
No geral, é um filme que vale a pena ir ver, mas sem o preconceito de achar que vai ser absolutamente extraordinário, já que o público tem tendência a dizer isso sobre tudo aquilo que tem dificuldades em perceber na totalidade, como a relatividade da lógica dos sonhos e as fórmulas matemáticas em que assentam os labirintos da mente… É possível que se torne um filme de culto, como “Matrix”, exactamente pela premissa que apresenta. Não me admiraria nada que aparecessem a partir de agora mais filmes a usarem como base da história o campo dos sonhos e o assalto às ideias durante o sono. É esperar para ver…


Classificação:
****

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Contraluz (Backlight)

Os acasos da vida

Este filme é sobre os acasos da vida… E foi, talvez, por acaso que fiquei a saber da morte de António Feio - o actor que deu a cara para defender a obra de Fernando Fragata e que tantas vezes vi no magnífico trailer do filme - exactamente no momento em que regressava a casa depois de ver a fita no cinema. Um acaso do qual não me vou esquecer jamais. António Feio transformou-se numa lenda, não só devido à “enorme” carreira que teve, mas também devido à lição de vida que deu a todos nós pela forma como enfrentou o pior pesadelo possível. “Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros, apreciem cada momento, agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer. Esta uma das fortes mensagens deste filme”, diz na intervenção que antecede o trailer. Sim, vamos todos tentar seguir o teu exemplo. Eu, pelo menos, prometo fazê-lo.
Mas comecemos “pelo princípio”… O próprio trailer. Não vou discorrer sobre a mensagem de António Feio, que nos arrepia a todos e está tudo dito. Mas o próprio trailer. O texto que o introduz. Joaquim de Almeida ajoelhado no deserto. O carro. O GPS. A voz que o chama. BRUTAL! O melhor que já vi. Dá lições. Tirem notas, porque é assim que se faz! Bravo!
Quanto ao filme, a sinopse é mais vaga que o trailer, mas ao contrário do anterior, não suscita interesse nenhum. Aqui fica, copiada do site da Lusomundo: “Várias pessoas sem ligação entre si estão em situações de extremo desespero quando algo inesperado acontece que irá mudar radicalmente o rumo das suas vidas. Caberá a cada um moldar o seu destino de modo a reencontrar a felicidade. Mas há destinos que só se alcançam depois de alterar o dos outros.” Fraquinha. O filme é mais do que isto.
O filme começa com um Joaquim de Almeida amargurado, numa personagem sombria, a quem morreu a esposa. O espectador testemunha o renascer desta personagem naquela que é a passagem mais desinteressante do filme. Com um contexto demasiado longo, é um trecho com pouco ritmo. É de propósito, eu sei, a personagem está sem ritmo e o espectador sente-o… infelizmente durante demasiado tempo… Mas o actor entrega o que lhe pedem, sem dúvida, e a “história da personagem termina onde a obra começa a suscitar verdadeiro interesse.
A partir daí é puro entretenimento, sempre com mais questões para responder, sempre com ritmo, sempre em crescendo. Digo “entretenimento” da melhor maneira possível (no sentido do fascínio que suscita no espectador, que deixa de olhar para o relógio e fica disponível para se deixar levar), sem que por isso a obra deixe de colocar muitas questões ao espectador, muitas “dicas” para pensar quando deitar a cabeça no travesseiro.
Notei um erro de anotação quando uma mochila vermelha suja é supostamente a mesma que aparece na cena (cronologicamente) seguinte já limpinha… Mas isso não chega para manchar a óptima obra de Fernando Fragata.
Uma nota final para Evelina Pereira. Nunca a tinha visto no papel de actriz. Não era uma personagem muito exigente, mas também não há qualquer reparo a fazer, além do facto de a câmara a adorar. Esteve bem e fica lindíssima dentro do camião.
Em resumo: mais um passo em frente para o cinema português.
…Mas, já agora… ADORAVA ver o dia anterior… da abelha… ;-)

Classificação:
****

Lucky Luke (Lucky Luke)

Um filme cartoon

Desculpem se vos vou estragar o suspense mas Les Daltons e Rantanpan não foram contemplados e o Jolly Jumper não tem a crina loura :(((((
Fora estes grandes percalços, o filme retrata de forma bastante divertida e fiel um dos meus personagens preferidos da banda desenhada John Luck ou Lucky Luke.
Uma pequena imprecisão é o facto de Phil DeFer não ser gigante (tal como nos livros) mas este não oferece nada de novo à acção (já avançada quando aparece).
A sinopse diz: Jean Dujardin interpreta o papel do "homem que dispara mais rápido do que a própria sombra": Lucky Luke. Quando se encontra em missão na cidade natal de Daisy Town, Lucky Luke vê o seu destino cruzar-se com o de Billy The Kid, Calamity Jane, Pat Poker, Jesse James e Belle. Sempre na companhia do seu fiel companheiro, Jolly Jumper...
Pelo facto de ser uma producção francesa que, não sendo o Sin City, conseguiu captar a essência do cartoon no grande ecrã leva:

Classificação:
****

Prince of Persia: Sands of time (Príncipe da Pérsia: As areias do tempo)

Do monocromático ao digital

Quem não se lembra de passar tardes a jogar aquele jogo que apenas tinha três cores: preto, branco e muito amarelo!! Talvez seja essa a verdadeira explicação para tanto daltonismo...
Prince era o nosso herói e a princesa nunca a cheguei a ver (por não ter conseguido chegar ao fim do jogo). Com 7 anos os desafios dos jogos spectrum apenas eram ganhos por nerds que, tal como eu passavam 24 horas por dia ao computador mas que não desligavam o computador uma vez que "load" e "save" ainda não constavam no dicionário informático.
Bom, o jogo era viciante mas este filme, nos dias que correm, é mais uma producção Disney milionária longe de despertar as paixões criadas dos anos 80.
A sinópse é simples: Nas místicas terras da Pérsia, um príncipe trapaceiro (Jake Gyllenhaal) une forças, contra a sua vontade, com uma misteriosa princesa (Gemma Arterton) e, juntos, irão enfrentar as forças do mal para proteger uma antiga insígnia capaz de libertar as areias do tempo - um presente dos deuses com o poder de voltar atrás no tempo que dará a quem o possuir a capacidade de dominar o mundo...
Tal como a sinopse também a classificação é simples...

Classificação:
***

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sexo e a Cidade 2 (Sex and the City 2)

Pouco sexo e pouca cidade

Estou um pouco desiludida com este filme. Já sei que é uma sequela e que as sequelas – salvo raríssimas excepções – são sempre piores do que o original. Mas, mesmo assim, as minhas expectativas estavam altas. Eu sou daquelas fãs, mesmo fãs, da série e, em 2008, temi muito o salto para o grande ecrã. A produção fez questão de manter a mesma equipa criativa e eu achava duvidoso que um guionista de TV conseguisse fazer a transição para a escrita para cinema sem vícios. Mas dei a mão à palmatória e achei o primeiro filme fabuloso. Encheu-me as medidas. Portanto, estava ansiosa por ver o seguinte, convencida de que os vícios se tinham perdido na primeira experiência cinematográfica. Estava enganada.
Este filme é apenas um episódio longo da série e dos mais fraquinhos. É uma hipótese de história mal explorada e superficial.
Se a Carrie vai ter uma crise no casamento, então, por favor, arranjem-lhe uma crise a sério! As dúvidas e questões da personagem neste filme estão ao nível da escola primária. Isto é, são questões que passam pela cabeça de qualquer mulher pelo menos uma vez por mês numa relação longa e não motivos para atravessar um oceano cheia de angústias e ir beijar o ex-namorado. Mas, assumindo que a personagem estava frágil, precisava de consolo e beijava, de facto, o ex-namorado, então, por favor, exagerem a questão, porque isto é cinema! E explorem a personagem do Aidan, que o público feminino adora e que aqui serviu apenas de adorno: sem continuidade, sem profundidade, sem voto na matéria. O mesmo acontece com todas as outras personagens masculinas.
Já sei que é uma obra que dá destaque à voz feminina, mas, em ocasiões anteriores, eram as acções dos homens que levantavam questões, que faziam as quatro amigas reagir, avançar. Desta vez não. Steve, Harry, Smith Jerrod, personagens marcantes da série, não chegam desta vez à qualidade de personagens secundárias. Estão lá, mas sem intervir verdadeiramente na acção. Só o Mr. Big tem um pouco mais de protagonismo, mas ele resume-se a comprar um plasma e a sentar-se no sofá…
As storylines das quatro personagens são, neste filme, potencialmente interessantes… mas mal exploradas, superficiais, tal como todos os ambientes circunstâncias em que foi colocada a acção (Médio Oriente: a repressão da sexualidade, a repressão da feminilidade, o uso da burka, etc.). Há um sem número de temas fascinantes, colocados em destaque, abordados de forma corajosa e logo a seguir… esquecidos. Quiseram-se destacar assuntos pertinentes a mais, não conseguindo depois ir ao cerne de nenhum.Fiquei com saudades das miúdas na mesma. Especialmente da Sam.
A Sam que apareceu neste filme não é credível. É ela, mas não com 52 anos e sim com 27, no máximo! Ou alguém acredita que, depois de um cancro, depois de uma relação profunda e compensadora (que, como tudo, na vida acabou, mas não deixou de ser compensadora), ela voltava a ser absolutamente leviana e sem qualquer desejo de intimidade…? Sexualmente livre, tudo bem! Mas com alguma maturidade, alguma busca por algo diferente, porque aos 52 anos a sexualidade não pode ser igual aos 20… Mas não. A personagem voltou ao início da série. Os anos não passaram. As situações não pesaram, não a mudaram. …Bom, há questão da menopausa. A menopausa da Sam é o comic relief. Aliás, a Sam é sempre o comic relief o que é óptimo, só que este tema em particular merecia mais profundidade, mais seriedade, mais clareza, mesmo fazendo rir (ou especialmente quando faz rir…).
O melhor momento do filme é a sequência quase final, em que as quatro mulheres voltam ao mercado local de Abu Dhabi. Finalmente há ritmo e bom humor e tudo aquilo que falta no resto do filme. Pena que só dure uns 5 minutos…As ideias são boas, os actores são bons, a produção é excelente (embora já seja MUITO cansativo aquele brand placement ininterrupto, a ponto de, a meia hora de filme, o espectador comum já estar FARTO de ver, ouvir, engolir marcas!!!). Com tudo o que o filme tem de mau, ainda fica a vontade de ver mais... A porta mantém-se aberta para o próximo filme. Eu - sempre fã da Carrie, da Charlotte, da Miranda e da Samantha - aguardo-as ansiosamente.

Classificação:
***

StreetDance 3D (StreetDance 3D)

Dançar está na moda e faz bem à alma

Carly ganha a vida a vender sanduíches, mas o que ela gosta mesmo é de dançar. Sem qualquer formação clássica, a jovem inglesa aprendeu tudo o que sabe com o namorado Jay, líder de um grupo de street dance que está a competir pelo lugar de melhor dance crew do Reino Unido. A pouca semanas da final do concurso, Jay pede um tempo à namorada e aos companheiros e desaparece. Carly herda e equipa e é obrigada a enfrentar, não só problemas criativos e de liderança, mas também as suas próprias inseguranças. De forma tentar vencer o concurso, a equipa vê-se forçada a ensaiar com os bailarinos da Escola Real de Bailado em troca da utilização do espaço da escola para treinar. E as diferenças não vão ser só de estilo...
A história é muito básica e própria para adolescentes. Mas quem vai ver um filme destes vai essencialmente à procura de excelentes bailarinos. E, isso, encontra de certeza. As piruetas da street dance e do ballet em 3D são do melhor que o género tem oferecido. Esqueçam os filmes de animação e corram ao cinema para ver bailarinos extraordinários suspensos à frente dos olhos da plateia se querem desfrutar da verdadeiramente da sensação 3D. Mil vezes mais bem conseguido do que um Avatar no que diz respeito a esta nova tecnologia! E, para quem ama Londres, esta é também a oportunidade de ver a cidade capturada de forma deslumbrante em filme, com respeito e profundidade. Para mim, ela é mais uma personagem do filme.
Entretenimento digno e puro.

Classificação:
****

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Robin Hood (Robin Hood)

O começo da lenda
Começando pelas versões de Errol Flynn (“As Aventuras de Robin Hood”, de 1938) e Kevin Coster (“Robin Hood: Príncipe dos Ladrões”, de 1991), passando pelo filme de animação da Disney (“Robin Hood”, de 1973) e pela irresistível paródia de Mel Brooks (“Robin Hood: Men in Tights”, de 1993) e terminando nas saudosas séries de TV que povoaram a minha infância e adolescência (“Robin of Sherwood”, de 1984 a 1986, e “The New Adventures of Robin Hood”, de 1998) , eu devo ser especialista nesta que é – além do MacGyver – a minha personagem favorita. Eu “papei” quase tudo o que foi produzido para os meios audiovisuais sobre este herói, até tive um trauma com um Robin Hood louro que não se googla em lado nenhum! E, mesmo sabendo que a BBC está a emitir uma nova série sobre o fora-da-lei de Sherwood, acreditei – sinceramente! - que sobre Robin Hood estava tudo dito. Enganei-me.
Ridley Scott decidiu apresentar o início da lenda (começa a ser tradição em Hollywood apresentar o início de todas as lendas…) num filme mais realista do que os anteriores no que diz respeito às características da Inglaterra do século XII, ou seja, este Robin é - fruto das circunstâncias - mais “feio, porco e mau”, sem deixar de lado os valores e a (kind of) doçura que todos reconhecemos ao grande herói.
Ao longo dos anos foram “milhões” as variações na possível história de Robin. Ridley Scott apresenta mais uma hipótese - na verdade não muito surpreendente, mas verosímil – da sua história. Robin era um arqueiro em campanha com Ricardo Coração de Leão. Depois da morte do rei em batalha, ele regressa a Inglaterra fugido e o seu caminho cruza-se - em rota de colisão – com D. João, irmão de Ricardo e novo rei, uma personagenzinha eternamente pérfida e fraca. Pelo caminho finge ser Robert of Loxley, com a bênção do pai do verdadeiro Robert of Loxley, enquanto se apaixona por Lady Marion, que é, neste filme, uma mulher forte e segura de si.
É uma obra mais dura, com excelentes actores (além de Russell Crowe e Cate Blanchett, há que destacar Mark Strong e William Hurt, o primeiro no seu habitual registo de mauzão, o segundo irreconhecível) e excelente realização, que perde com a utilização de alguns clichés desnecessários - como a seta que mutila o antagonista no início do filme - e que fazem o espectador assíduo de cinema revirar os olhos em descrédito.
No geral, é óptimo entretenimento. E mantém intacta a imagem da lenda… para o bem e para o mal…

Classificação:
****

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2)

Um bom action movie

Downey Jr. não decepciona e à semelhança do primeiro Iron Man, bem como do mais recente Holmes, mostra que está para ficar. Um actor com popularidade crescente que mais uma vez mostra os seus pregaminhos enquanto front man. A sinopse do filme conta: "O mundo já sabe que o inventor bilionário Tony Stark é o Super Herói Homem de Ferro. Pressionado pelo governo, pela imprensa e pelo público para partilhar a sua tecnologia com os militares, Tony não está disposto a divulgar os segredos por trás da armadura do Homem de Ferro, visto recear que a informação caia nas mãos erradas. Com Pepper Potts e James "Rhodey" Rhodes do seu lado, Tony estabelece novas alianças e confronta novas e poderosas forças..."
Com um elenco francamente mais forte que o primeiro filme da saga onde constam: Mickey Rourke, Scarlet Johansen, Samuel L. Jackson e Gwyneth Paltrow, talvez Scarlet esteja um pouco abaixo do que nos tem habituado, estando ainda para vir um filme em que não seja uma fame fatal...
O filme conta também com efeitos especiais à altura e talvez uma versão 3D lhe desse outra projecção...
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Classificação:
***